A mobilidade e o ambiente urbano do nosso Concelho e Cidade Viseu

O desespero em apresentar trabalho interno dos serviços de planeamento camarários, quer os resultados ou a implementação no terreno da lista de promessas de obra feita elaborada nas últimas eleições, origina um frenesim de propaganda pública dia sim, dia sim.

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  • 9:46 | Segunda-feira, 29 de Junho de 2020
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A gestão do quotidiano da nossa cidade e do concelho encontra-se na actual conjectura a ser alvo de consecutivas aparições com anúncios públicos de acções de requalificação urbana sem nenhuma fase de discussão pública.

O desespero em apresentar trabalho interno dos serviços de planeamento camarários, quer os resultados ou a implementação no terreno da lista de promessas de obra feita elaborada nas últimas eleições, origina um frenesim de propaganda pública dia sim, dia sim.

Um executivo com uma percepção errada ou com excessivo autoconvencimento de que as tomadas de decisão são impregnadas de inovação, a grande maioria se for analisada resumindo-se ao puro seguidismo de tendências em voga, sem a mínima noção se será prejudicial, se se adequa ao espaço público (especialmente ao casco histórico) e à paisagem urbana, se tem impacto social, relação custo-benefício, ou se prejudica a imagem da cidade agudizando problemas ao quotidiano do mais simples cidadão frequentador da cidade, ao empresário, comerciante ou profissional liberal.

Durante estes últimos 3 a 4 anos assistimos ao anúncio, à introdução e à implementação (suficiente) de um novo modelo de mobilidade urbana e intra concelhia, com a reformulação do modelo de prestação do serviço público de transportes, revolução nos modos de mobilidade da cidade, com a introdução de um veículo autónomo inteligente 100% eléctrico para 2019 (já era e não se sabe se dependente de energia renovável) e ultimamente a apresentação também tardia face ao prometido e adjudicação da reformulação de várias artérias da cidade, para a introdução dos corredores de circulação destinados como incentivo ao uso de bicicletas.

Da prestação de serviços de transportes faltou a integração no MUV da linha Viseu-Nesprido – Vila Corça, e da linha Viseu-Santos Evos-São Pedro de France, uma grande extensão territorial dependente da rentabilidade obtida pela empresa privada que opera por livre iniciativa, esquecendo-se das necessidades dos utentes.

Também se desconhece acerca da eficácia e resultados das solicitações de transporte a pedido, medida que propunha ao utente em zona remota a possibilidade de requisitar o transporte via telefónica, pagando pelo serviço, táxi ou outro, tanto quanto pagaria pelo transporte em autocarro. A factura por certo que irá aparecer com a transparência e rigor a que o executivo já nos habituou. Do veículo autónomo nunca mais se ouviu nada acerca dos custos de investimento e posteriores custos de manutenção, nem a poupança gerada com a substituição do funicular.

Este artigo vem com o propósito de questionar se houve lugar a estudos sobre volume do trânsito automóvel e as características bioclimáticos que fundamentem e suportem a aposta, as características das vias, possíveis impactos negativos, de um passo fulcral e irreversível na desejada transformação da forma de deslocação dos viseenses pretendida pelo fraco edil e sua soberba e sumptuosa equipa.

Numa cidade com temperaturas médias de Janeiro a Maio de 7 a 14ºC, precipitação de 176 a 83mm nesse período, com temperaturas médias de 14ºC a 7ºC nos meses de Outubro a Dezembro e precipitação de 114 a 140 mm, restam os meses de Junho a Setembro, 4 meses, 1/3 do ano para que a prática e o uso da bicicleta se revele agradável e convidativa.

Qual o custo total final da obra? Já fizeram as contas ao custo-benefício?

Deixem agora que apresente diferentes abordagens de planificação de espaço público mais inclusivo que assimilei através de alguma pesquisa realizada, bem como através do diálogo que mantive com alguém conhecedor da área.

O extenso plano de intervenção caracteriza-se por ser um processo muito opaco, já que os diversos tipos de vias propostos foram apresentados com muito pouco detalhe, genericamente, e sem ter em consideração os diferentes tipos e perfis de rua (a sua largura) que a cidade de Viseu possui.

Os impactos que poderão causar as alterações são tremendamente preocupantes, desde já passando pela redução drástica da área disponível (de passeio) de circulação pedonal, pondo em perigo quem circula nela (não esquecer a população com dificuldade de mobilidade, idosos e as pessoas de cadeiras de rodas, os invisuais, bem como as crianças) isto com a transformação dos passeios para comportar a partilha entre peão e o meio de transporte bicicleta. Já para não falar do possível corte de lugares de estacionamento, o extermínio de árvores e eliminação de caldeiras onde estas se localizam,  também importando salientar e questionar de que forma os obstáculos ou mobiliário urbano serão eliminados (papeleiras, postes de iluminação, os mupis (painéis de publicidade).

As distâncias de segurança entre as frentes dos edifícios, a zona de permanência do peão (transição entre o edifício e o espaço exterior). Nas pistas (comuns) partilhadas com o automóvel, a preocupação encontra-se na possível falta de elementos dissuasores de velocidade aos veículos motorizados, na adequada separação física que ofereça sensação de segurança aos ciclistas, (que evite acidentes), como se efectua a partilha de via nas zonas de paragens de autocarros e a sinalização vertical e desenho no pavimento desta mesma. Desconhece-se a forma como os cruzamentos de vias serão reformulados (de forma a não reduzir a visibilidade) e como se processa a transposição de um tipo de via para outro. Nas vias exclusivas, a bicicletas carece de explicação sobre qual a largura oferecida (espero que esteja conforme os regulamentos). A planificação para a inclusão destas pistas, carece de um desenho (rigoroso e detalhado) e de um exercício de gestão das áreas disponíveis para cada meio, a fim de que resulte em espaços transmissores de sensação de segurança e de prudência na circulação.

Muitas outras questões, que também o vereador do PPD/PSD na Câmara Municipal de Lisboa e Professor de Urbanismo na FAUL, João Pedro Costa, colocou em Lisboa e que se aplicam a Viseu, ficam no ar por não terem sido sequer equacionadas, a saber:

– Fica garantida em extensão a circulação em emergência dos Bombeiros? E as ambulâncias?

– Como vai funcionar a Avenida/Rua em caso de avaria ou acidente de um veículo? Ou se um veículo de emergência tiver de parar?

– Como vão parar os autocarros e táxis? Em placa lateral dedicada? Ou interrompendo todo o tráfico?

– Como vão ter lugar as cargas e descargas? Nos supermercados? Na restauração? Nas várias lojas?

– Onde podem os táxis parar para receber e deixar passageiros? Interrompem o trânsito?

– Estão previstos lugares de kiss & ride? Quantos e onde?

– Como vão ser ordenados os corredores de estacionamento em ambos os sentidos?

– Onde vai ser compensado, na proximidade, o estacionamento que se vai perder?

Não custa nada ouvir primeiro, ou vá lá, pensarem nas respostas antes de adjudicarem a obra. Ah, já está? Ok, boa sorte… o dinheiro que se lixe! É público tal como a ciclovia também é de todos!

Como o prometido é devido, deixo aqui uma abordagem de transformação de espaço público (especialmente para as zonas de residenciais onde o Programa “Eu gosto do meu bairro” se destina) que comporta todos estes elementos, as zonas de coexistência urbana.

Onde o piso se encontra ao mesmo nível e com a mesma materialidade (evita-se o derrube de árvores adultas numa hipotética requalificação) com a entrada no arruamento são incorporados os elementos físicos dissuasores de velocidade bem como é redefinida a geometria da via (essencial para eliminar as fatalidades ocorridas nas passadeiras e que a cidade bem necessita).

Se tal não for possível, que tal planificar vias exclusivas para bicicletas que acompanhem as diversas linhas de água e reaproveitem os antigos caminhos rurais que proliferam pelo território, com a ajuda da vegetação existente  e criando abrigos que permitam que sejam utilizados durante todo o ano?

Pede-se mais uma vez arrojo nas soluções e muita pesquisa e precaução por parte do pessoal técnico municipal. Considero este meu contributo de hoje excessivo e mesmo assim, nem em me atrevo a entrar em outros dados de análise de decisão, porque ainda provocaria algum esgotamento mental ao responsável do pelouro por esta nova moda que chegou às cidades. É muita pedalada para o triciclo que aprendeu a conduzir. Ontem foram as rotundas e os túneis… amanhã será o MUV Bike. Talvez um dia a cidade seja para os viseenses!

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