Se bem nos recordamos, as eleições legislativas de 2024 ocorreram a 10 de Março desse ano.
A AD, coligação com o PSD, CDS-PP e PPM ganhou à justa com 28,02% contra 28% do PS e 18,07% do CH e vai já com 22 meses de governo de Portugal, a fazer no dia 10 de Janeiro próximo.
Se na campanha eleitoral não se falou, por exemplo, na tentativa abrupta e significativa da alteração das leis laborais, muito se falou, de forma enfática e redundante da Saúde – à data e por palavras, “a menina dos olhos” do líder da AD.
22 meses mais tarde, sem querer falar de caos ou de colapso, o SNS está visível e francamente pior do que estava há 22 meses. As embrulhadas sucedem-se no INEM, nos concursos públicos, nas demissões, nas mortes de utentes por falta de atendimento… e até no número de partos feitos em ambulâncias, em quartéis de bombeiros e até nos passeios de ruas, que atingiu números preocupantes – recordemos que até novembro do ano findo o total de partos em ambulâncias ou na rua chegou a 70. Agora, já lhes perdemos o conto.
A ministra da Saúde, impada e orgulhosa da desgraça que tem criado – será propositadamente, segundo há quem afirme – recusa demitir-se, como se recusa demiti-la o primeiro-ministro, que acha que Ana Paula Martins está a desenvolver um trabalho de grande rigor e qualidade. Provavelmente, só ele e os membros do seu governo e os deputados da sua coligação terão essa capacidade oftalmológica de vislumbrar tanta e tão inexcedível qualidade.
De tanto falarmos acerca da invasão da Ucrânia e dos milhares de mortes dela decorrentes, normalizámos a guerra e tornámo-la aceitável.
Trump de tantos atropelos, dislates, mentiras, ilegalidades e atrocidades cometer normalizou-os e já quase não temos a capacidade de sequer com eles nos indignarmos.
Acontece o mesmo com a Saúde… começamos a achar normal tudo de negativo que no sector acontece, começamos a desenvolver um sentimento de aceitação, de complacência e de resignação que é tanto mais perigoso quanto abre portas à normalização da gravíssima desacreditação do SNS, provavelmente sendo esse o objectivo a atingir para, paulatinamente, conduzir os utentes para os serviços privados e, pior, para a aceitação da privatização da Saúde em Portugal.