A ministra da “desgraça”

A ministra da Saúde, impada e orgulhosa da desgraça que tem criado – será propositadamente, segundo há quem afirme – recusa demitir-se, como se recusa demiti-la o primeiro-ministro, que acha que Ana Paula Martins está a desenvolver um trabalho de grande rigor e qualidade.

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  • 18:34 | Quinta-feira, 08 de Janeiro de 2026
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Se bem nos recordamos, as eleições legislativas de 2024 ocorreram a 10 de Março desse ano.

A AD, coligação com o PSD, CDS-PP e PPM ganhou à justa com 28,02% contra 28% do PS e 18,07% do CH e vai já com 22 meses de governo de Portugal, a fazer no dia 10 de Janeiro próximo.

Se na campanha eleitoral não se falou, por exemplo, na tentativa abrupta e significativa da alteração das leis laborais, muito se falou, de forma enfática e redundante da Saúde – à data e por palavras, “a menina dos olhos” do líder da AD.


Tudo iria mudar para melhor. Os portugueses iriam ter um SNS de altíssima qualidade, as listas de espera para as intervenções cirúrgicas seriam reduzidas ou desapareceriam, a espera nas urgências hospitalares seria anulada, o número de utentes sem médico de família seria amplamente reduzido… e mais uma ancha série de promessas que decidiram muitos eleitores indecisos, renitentes, carenciados, doentes e envelhecidos…

22 meses mais tarde, sem querer falar de caos ou de colapso, o SNS está visível e francamente pior do que estava há 22 meses. As embrulhadas sucedem-se no INEM, nos concursos públicos, nas demissões,  nas mortes de utentes por falta de atendimento… e até no número de partos feitos em ambulâncias, em quartéis de bombeiros e até nos passeios de ruas, que atingiu números preocupantes – recordemos que até novembro do ano findo o total de partos em ambulâncias ou na rua chegou a 70. Agora, já lhes perdemos o conto.

 

A ministra da Saúde, impada e orgulhosa da desgraça que tem criado – será propositadamente, segundo há quem afirme – recusa demitir-se, como se recusa demiti-la o primeiro-ministro, que acha que Ana Paula Martins está a desenvolver um trabalho de grande rigor e qualidade. Provavelmente, só ele e os membros do seu governo e os deputados da sua coligação terão essa capacidade oftalmológica de vislumbrar tanta e tão inexcedível qualidade.

Qualidade tem demonstrado a ministra na substituição de Norte a Sul do país dos conselhos de administração para os ocupar com companheiros políticos desempregados, alguns até como recompensa por terem sido candidatos autárquicos derrotados.

 

De tanto falarmos acerca da invasão da Ucrânia e dos milhares de mortes dela decorrentes, normalizámos a guerra e tornámo-la aceitável.

Trump de tantos atropelos, dislates, mentiras, ilegalidades e atrocidades cometer normalizou-os e já quase não temos a capacidade de sequer com eles nos indignarmos.

Acontece o mesmo com a Saúde… começamos a achar normal tudo de negativo que no sector acontece, começamos a desenvolver um sentimento de aceitação, de complacência e de resignação que é tanto mais perigoso quanto abre portas à normalização da gravíssima desacreditação do SNS, provavelmente sendo esse o objectivo a atingir para, paulatinamente, conduzir os utentes para os serviços privados e, pior, para a aceitação da privatização da Saúde em Portugal.

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Publicado em Opinião