Voltei e vou andar por aí!

por Fernando Figueiredo | 2019.03.14 - 17:09

 

Fernando Ruas está definitivamente a dias de arrumar o cartão de milhas aéreas das viagens entre o Campo de Aviação da Muna e o Aeroporto Internacional de Zaventem.

Com Rui Rio a deixá-lo de fora das listas por troca com outro dinossauro, de categoria bem inferior a Ruas, vários cenários serão possíveis depois de Maio. O ex-autarca e destacada figura nacional, com quem tive tantos desencontros políticos que motivaram outros tantos dissabores, é inegavelmente um valor para a política nacional e principalmente regional. Depois da reforma dourada bem merecida por Ruas em Bruxelas será tempo agora de:

Assumir a tempo inteiro a função de avô como há dias ainda com reconhecida alegria o manifestava na sua página oficial. Ruas, reconheça-se sem hipocrisia, arrasta consigo um capital de cidadania irrefutável bem como de homem de família hoje com netos lindíssimos. Julgando conhecê-lo diria que apesar dos seus 70 anos Ruas não se esgota na família. Tem ainda motivação suficiente para fazer uma perna na política e outra na bicicleta com os netos na ecopista até Farminhão.

Assumir a liderança da lista de deputados às legislativas pelo PSD distrital. Nas circunstâncias actuais esta seria a melhor aposta dos sociais democratas. Divididos pela última campanha entre Rio e Santana, desmotivados pela prestação expectável do substituto de Ruas e com uma distrital malquista pela direcção nacional laranja, Ruas é ao que se conhece o único aglutinador de vontades e de militância que faça com que o PSD mantenha o mesmo número de deputados em Lisboa. Uma outra aposta fará com que a militância se divida entre os partidos da direita com vantagem para o PS.

Aparecer em força na Aliança o que se afigura mais difícil pois Ruas nunca foi político de romper compromissos, pese o facto de a Aliança Viseu ser o holograma da sua liderança com o fiel Pedro Escada à cabeça e o sobrinho Pedro Ruas na peugada. A Aliança, contudo, nestas circunstâncias será sempre uma saída e mais que isso um aliado seguro para Ruas, caso as legislativas venham a funcionar como trampolim para a Praça da República de novo.

Seja como for, neste momento a inquietação maior não é de Fernando Ruas!

 

Fernando Figueiredo

 

(Foto RD)

Forjado na Beira Alta, aos 56 anos dá-se por bem casado e aprecia a companhia de três filhos, dois ainda na fase de espalhar magia a toda a hora; em família dá-se como feliz, apenas por o fazerem feliz. Como os duros estudou na Academia Militar, que não é para meninos e na época em que ainda se viajava de pé no comboio mas teve ainda tempo para queimar as pestanas em Gestão de Recursos Humanos. 36 anos “militarizado” vê-se agora na reforma a procurar ser “civilizado”. Em termos profissionais esteve no Iraque e voltou para contar, também esteve em Timor onde bebeu água de coco e visitou Jaco, erro fatal que lhe deixou o coração preso nas valorosas gentes timorenses e nas paisagens únicas do País que ajudou a ver nascer independente já no Séc XXI. Nos tempos livre actualiza o blog mais lido e odiado do delta do Dão, o Viseu Sra da Beira, e ainda escreve textos para jornais mas, poucos o lêem. Homem sem grande preocupação em fazer amigos, escreve o que entende sobre quem não consegue entender. Tais liberdades já lhe valeram um par de processos em tribunal, sem nunca se ter declarado Charlie. A genética deixou-o sem um único cabelo mas está careca de saber que os valores do trabalho, da honestidade e da amizade são o maior legado que o pai lhe deixou. Benfiquista moderado, gosta mesmo é de um bom jantar na companhia dos melhores amigos. Agora como empresário e homem de negócios só aceita de lucro o necessário para viver e distribuir por outros e de comissão a 100% a ética, a responsabilidade e o profissionalismo. É garantidamente mais bonito ao vivo que em foto.

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