Troika made in Portugal: Arnaut, Barroso e Gaspar

por José Carreira | 2014.03.02 - 10:35

A senhora Largard nomeou o ex-ministro das Finanças Vítor Gaspar para o cargo de diretor do departamento de Assuntos Orçamentais do Fundo Monetário Internacional, devendo entrar em funções em junho. Há quem aponte a senhora como forte candidata ao lugar de Durão Barroso, apoiada por Angela Merkel. Coincidências ou nem por isso? Outra coincidência, o ex-ministro-adjunto de Durão Barroso, José Luis Arnaut, foi nomeado para o conselho consultivo internacional do banco norte-americano Goldman Sachs. Há momentos em que até “parece” que há alguma, ainda que “ténue”, promiscuidade entre os negócios e a política…

O senhor Presidente da República, Dr. Aníbal Cavaco Silva, no Encontro Anual da World Portuguese Network apelou aos emigrantes portugueses “em funções de destaque” que sejam “embaixadores” da credibilidade do país. O chefe de estado deseja que “mais vozes portuguesas se juntem às vozes dos políticos e diplomatas para projetar Portugal no estrangeiro pela positiva.”

Pela proeminência dos cargos que ocupam, lembrei-me imediatamente de três putativos “embaixadores” que  poderão ter uma palavra a dizer na promoção
do nosso país: Durão Barroso,  José Luís Arnaut e Vitor Gapar. A “Troika Made In Portugal”.

O que dirão para promover o nosso país?

Imaginemos…

Durão Barroso: Ser primeiro ministro de Portugal foi bom, tão bom que decidi emigrar rapidamente para a Comissão  Europeia e difundir o slogan: “Vá para fora cá dentro”. Somos ou não somos europeus?

Vitor Gaspar: Gostei de ser Ministro das Finanças, chegou a hora de deixar o governo e deixar o “fardo da liderança” a Passos. Agora, na qualidade de Diretor do FMI, não repetirei as afirmações de falta de coesão e colocarei um cartaz no gabinete: “FMI estou aqui, Portugal está ali, eu parti e o país sorri!”

José Luís Arnaut: Senhores  investidores, conta(ra)m com a minha experiência na negociação de privatizações. Portugal vale a pena, poderão usufruir do pacote “tudo incluído”: politica + negócios.

Talvez o senhor presidente tenha feito apenas um discurso de circunstância, pretendendo massajar o ego dos convivas. Mas não fica bem, a quem deve ser Presidente de todos os portugueses, enaltecer uma minoria, ainda que importante, e esquecer os milhares de anónimos que trabalham todos os dias nos mais diversos países e muito fazem pela promoção da cultura e da identidade do país na Diáspora. Para estes, os esquecidos, cito aquele que é o melhor embaixador do país, Cristiano Ronaldo: “Como eu já disse, há que levantar a cabeça e continuar a trabalhar”.