QUANDO UM SIM SIGNIFICA NÃO

por José Carreira | 2015.06.18 - 09:47

 

 

– Já conhece o cartão barclaycard?

– Sim.

– Já tem o cartão barclaycard?

– Sim.

Na verdade, não conheço o cartão porque não o tenho e não o quero ter!

Dizer que já tenho o cartão é a (má) alternativa que encontrei para não ser bombardeado constantemente com as qualidades do cartão, os brindes, as promoções, um sem número de coisas.

Uma ida ao palácio do gelo significa uma investida na tentativa de angariarem um novo cliente.

É no shopping, é nas bombas de gasolina, estão em todo o lado, transformaram-se em autênticas pragas, com o devido respeito por quem cumpre ordens na expectativa de somar uma comissão ao salário miserável, quando existe…

Ainda assim, há limites. Há colaboradores que ultrapassam o limite do razoável. Insistem, voltam a insistir, mesmo quando educadamente se lhes diz: “Muito obrigado, não estou interessado”.

Na segunda-feira, ao entrar nas bombas da GALP (que ganhará certamente alguma “coisita”…) lá estavam as senhoras do cartão. Entrei, saudei-as com um “boa tarde”, dirigi-me à máquina de multibanco e lá dispararam as perguntas do costume, às quais respondi como sempre…sim…sim…querendo dizer…não…não…

Parece já não resultar dizer que sim para que nos deixem em paz. Sem olhar para mim, de costas, enquanto levantava dinheiro para pagar o combustível, a senhora insistia…insistia… Não há paciência que resista…

Só queria abastecer a viatura e pagar… missão impossível! Ultrapassada a barreira barclays, chego à caixa para pagar: “Quer levar estes chocolates? Não, obrigado. Quer aderir à promoção dos pontos? Não, obrigado. Tem cartão de pontos? Tem algum desconto? Já sabe que este cartão vai acabar? Não quer levar, por xxxx pontos um cartão de lavagens automóvel?” E mais isto é mais aquilo…

Só queria, juro-vos, abastecer, pagar e chegar a casa, depois de um dia cansativo de trabalho.

Para que servem cartões sem dinheiro?

Apenas e só para poder “sacar” alguns euros a crédito, agradecer o “plafond”, e pagar uma taxa de juro “upa…upa?