PS SEM RUMO

por José Carreira | 2015.08.08 - 12:19

 

 

O meu amigo Pedro disse-me variadíssimas vezes que António Costa foi um incompetente na qualidade de Ministro da Justiça e que não acreditava nas suas capacidades caso fosse, à época, eleito edil de Lisboa. Esta avaliação sempre me pareceu exagerada e algo injusta, tal como o seu desempenho como autarca da maior câmara do país veio a demonstrar. Conseguiu serenar a animosidade latente e fez um trabalho positivo.

No ataque à liderança do partido socialista, foi ziguezagueante.. No primeiro round, ameaçou, mas não atacou, um mau sinal, entrou no congresso como um leão e saiu de sendeiro… Decidiu o timing para o segundo round, jogou e ganhou.

Pensei que poderia dar um novo músculo ao partido e dificultar a vida a Passos e Portas. Mas o pior estava para chegar, a detenção do amigo José Sócrates. Também nunca conseguiu acalmar as fações internas: socráticos, seguristas, soaristas… Um saco de gatos bravos… A formação das listas deixou o problema à vista de todos. A imagem de Costa não é propriamente telegénica, perde aos pontos para Passos e a sua capacidade oratória fica muito aquém do dom exibido por Portas. No um contra dois terá evidentes dificuldades em levar a melhor.

De acordo com a sondagem do Expresso, António Costa é o líder mais popular (20,4%). Julgo que Costa, neste indicador, poderá beneficiar do desgaste a que estão sujeitos os líderes dos partidos da coligação. Estranhamente, o PS parece não acreditar na imagem e credibilidade do seu líder, a julgar pela quase ausência do seu rosto nos cartazes da campanha. Cartazes que têm originado um ruído ensurdecedor, são o espelho da desorientação dos socialistas. O génio da criatividade, Edson Athaíde, tem revelado uma incapacidade gritante para colocar a máquina de campanha em velocidade cruzeiro. De cartaz em cartaz, os erros sucedem-se. As mensagens políticas são fracas e ineficazes.

O pior de tudo é a mentira quando se pede a confiança das pessoas.

Quem pode confiar em quem usa a imagem de pessoas sem a devida autorização?

Quem pode confiar em quem fabrica histórias que são imediatamente desmentidas pelos protagonistas?

“A história não é minha. Aquela afirmação é falsa”, em declarações ao Observador, Maria João diz que não estava desempregada e que não disse o que está no outdoor”.

A coligação subiu e o PS desceu, nas intenções de voto dos portugueses. A diferença existente entre PSD / CDS e PS é de apenas 1,5%.

A cada dia que passa torna-se mais evidente que o PS poderá perder as eleições, algo inimaginável há escassos meses atrás. Seguro, Passos e Portas poderão sair vencedores das eleições legislativas. Seguro nem precisa de sair do sofá para que os portugueses lhe façam justiça, a sua justiça. Passos e Portas poderão adquirir novos créditos em resultado da árdua tarefa que desempenharam, ainda que tenham cometido erros durante a legislatura.