Programa de apoio às famílias

por José Carreira | 2014.07.30 - 14:14

 

Se consultarmos a Pordata[1], um projeto da Fundação Francisco Manuel dos Santos, no que concerne aos dados sobre a população idosa em Portugal, verificamos que entre 1972 e 2012 o número absoluto de portugueses com mais de 70 anos aumentou constantemente, sendo este acréscimo mais evidente nos mais idosos dos idosos, na já designada “Quarta Idade”.

19% da população portuguesa é constituída por pessoas com mais de 65 anos (2.010.064 habitantes). Uma percentagem significativa acumula complicações de saúde, muitas delas incapacitantes, que impõem cuidados de saúde especializados e caros. Um dos principais problemas resulta da evolução para estados demenciais, com maior incidência na doença de Alzheimer.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), prevê-se que os casos dupliquem a cada 20 anos, podendo atingir, em 2050, 115 milhões de pessoas em todo o Mundo. A Alzheimer Europe[2] calcula que, em Portugal (2012), haja 182.526 pessoas com demência, representando 1,7% do total da população. Segundo a Alzheimer Portugal[3], a patologia de Alzheimer afeta cerca de 90.000 portugueses.

Considero que a institucionalização será uma solução de recurso. A permanência da pessoa idosa na sua residência habitual deve ser a prioridade, desde que se consigam garantir o acesso aos cuidados de saúde adequados, sejam estes preventivos, curativos, continuados, reabilitativos ou paliativos.

A Deco Proteste realizou, em maio e junho de 2013, um inquérito junto de pessoas que acompanham ou cuidam de familiares com demência, tendo como objetivo “conhecer a evolução da doença, a satisfação com os tratamentos, os custos económicos e sociais, assim como as consequências para o cuidador.”

O estudo revelou que:

    • “Quase 10% das famílias portuguesas acompanham ou cuidam de um doente com demência, quase sempre Alzheimer.”
    • Um quarto dos inquiridos refere que “as despesas com tratamentos são muito difíceis de suportar e quase 10% assume não ter meios para pagar.”
  • A maioria dos doentes fica em sua casa ou na de familiares ao longo de quase toda a doença (74% das situações)

 

  • “Os pacientes tratados em casa têm melhor qualidade de vida, mas isso acarreta consequências para quem cuida: os inquiridos com pacientes a cargo apresentam níveis de esgotamento mais elevados do que os familiares de doentes institucionalizados.”

Urge a concretização, como defende o Presidente da Alzheimer Portugal, Carneiro da Silva, do Plano Nacional para as Demências, bem como a elaboração de um programa de apoio às famílias que cuidam dos seus idosos.

 

[1] http://www.pordata.pt/

[2] http://www.alzheimer-europe.org/

[3] http://alzheimerportugal.org/pt/