Obrigado Jardins

por José Carreira | 2014.07.13 - 19:13

É um gosto poder desfrutar diariamente de Viseu “Cidade Jardim”, eleita pela segunda vez como a melhor cidade para viver. Não tenho dúvidas de que só mudarei de burgo se a isso for obrigado. Gosto de trabalhar em Viseu e de viver na minha aldeia que fica a cerca de 12 km (Aviuges, freguesia de Barreiros / Cepões).

Estou grato à mentora e responsável pelos Jardins Efémeros, Sandra Oliveira, por ter aceitado a nossa proposta de dinamização de duas oficinas: Neuróbica (Laura Canelas) e Caravelas de Memórias (Raul Moita). Sentimo-nos honrados e gratos por podermos integrar um projecto que se afirmou em Viseu e que cativa cada vez mais pessoas. Quando se alcança o sucesso, realiza-se o sonho e alimenta-se a utopia. Os JE já são um acontecimento que os viseenses aguardam, ano após ano, com expectativa. Como será? Que artistas poderemos ver e ouvir, que intervenções / instalações serão concretizadas?

Viseu vive, por estes dias, uma “onda” cultural tão poderosa como a que fez brilhar McNamara na Nazaré! Música, arquitectura, design, fotografia, vídeo, exposições, uma panóplia de intervenções que colocam o interior no mapa cultural nacional. Esta edição dos JE tem como pano de fundo a preocupação em trazer à cena a cidade invisível – “Invisible Places”.

O objectivo do Centro Apoio Alzheimer Viseu – Obras Sociais do Pessoal da CM e SM de Viseu – ao criar o Jardim da Memória, foi recriar o passado e despertar as memórias, mesclando o urbano com o rural, os utensílios agrícolas com as novas tecnologias. O público-alvo são pessoas com 60 ou mais anos que podem ginasticar os neurónios – Neuróbica – trabalhar e guardar as memórias – Caravelas da Memória.

Criar o Jardim da Memória foi uma experiência muito gratificante. Temos contado com a generosidade e colaboração de muitas pessoas. Sentir o carinho que nutrem pela nossa missão é um suplemento de alma. Como dizia o grande Eça, (cito de cor) remexer no passado pode ser tão mau quanto abanar uma garrafa de vinho Porto com séculos de história. A recolha de objectos do passado transportou-me para um tempo feliz, um tempo em que a família estava completa. Um tempo em que guardei ovelhas e estudei, plantei batatas e joguei à bola, cresci e ri…

A “Pasteleira”, enquadrada pela moldura do Nuno, capta a atenção e convida a entrar no nosso jardim e a revistar o passado, um passado único que cada um reviverá com saudade e alguma nostalgia.

OBRIGADO JARDIM DA MEMÓRIA, OBRIGADO JARDINS EFÉMEROS, OBRIGADO VISEU CIDADE JARDIM!