O que podemos aprender com os psicopatas que nos (des) governam?

por Alberto Neves | 2015.05.27 - 23:06

 

 

A designação “psicopatas” remete a maioria dos leitores para uma definição depreciativa e estigmatizante, independentemente da definição que os refere como um grupo de pessoas com um conjunto de traços de personalidade distintos.

Não querendo ferir susceptibilidades em concreto, escolhemos um de entre os distúrbios mentais que mais se adequa ao panorama actual. Ao avaliar este panorama, damos conta de que estamos rodeados de absolutos “psicopatas” a governar e a tomar decisões, por exemplo, nos lugares comuns da política e da alta finança.

Sabemos ser inevitável a capacitação de certos líderes para se focarem em matérias decisivas e determinantes, com resiliência mental para reagir a constrangimentos e crises e tomar decisões políticas ou financeiras difíceis, sob grande pressão, com consequências significativas. Desta forma, até podemos falar em traços psicopáticos positivos.

Mas não basta ter as habilitações ou competências certas para gerir ou tutelar, por exemplo, a alta finança; sendo necessária a capacidade de ser implacável o suficiente para “encostar” alguém quando assim o entendem ou aproveitar, sem escrúpulos, certas oportunidades quando elas surgem.

Sabemos que a “meritocracia” nem sempre joga bem com o sistema que elege ou nomeia verdadeiros psicopatas, mais “chicos espertos” do que inteligentes, porque sabem que mesmo não tendo as habilitações e competências requeridas, é possível enganarem e trilharem caminho de forma fraudulenta até ao topo.

O que não nos parece “saudável” é que certos “politiqueiros”, abdicando de valores e princípios universais, adoptem traços psicopáticos sem os quais não conseguem ser homens ou mulheres de “sucesso”.

Grave é que, estes oportunistas, tomem decisões com base num grau de narcisismo que os leva a candidatarem-se e a serem eleitos por quem conseguem manipular, fingindo algum grau de empatia, porque ninguém vota ou confia em alguém distante.

Hoje, os analfabetos já não são aqueles que não sabem ler nem escrever, mas aqueles que se deixam manipular com a informação que lhes é “impingida” por alguns “opinion makers” avençados ao fim de semana.

O que não nos parece ético é passar por “normal”, que políticos ou banqueiros, por exemplo, sejam capazes de espetar uma faca nas costas dos portugueses. Todos conhecemos psicopatas assim, basta estar atento ao que se passa com a crise no sistema financeiro.

Recostados na nossa zona de conforto, ficamos perplexos perante respostas como “é a vida…!” ou “aguentam… aguentam!”, por entre outras expressões filhas da crise que, paradoxalmente, significam exactamente o contrário e que servem para que alguns “energúmenos” manifestem o seu regozijo pela desgraça alheia.

Estas “blasfémias”, quando dirigidas por quem aufere mais de 5 dezenas de milhares de euros por mês, a cidadãos aforradores que contam tostões, é de “bradar aos céus” e devia constituir um atentado ao Estado de Direito.

Já agora… vejam lá se trabalham muito e ganham pouco, porque a vossa produtividade é essencial para esta gentalha sem escrúpulos, que precisa de idiotas e vassalos que lhes paguem os vencimentos escandalosos que auferem.

Nunca se revoltem ou indignem! Sejam sempre obedientes, enquanto os grandes ladrões vão (des) governando o nosso país.

Como disse Martin Luther King, “A injustiça em qualquer lugar é uma ameaça à justiça em todo o lugar.” Ou recuando ainda mais na história: “Que nenhum cidadão seja tão rico para poder comprar um outro nem tão pobre que seja obrigado a vender-se” – Rousseau?

Natural de Viseu. Licenciado em Psicologia pela Universidade de Coimbra. Mestre em Economia e Pós graduado em Gestão de Pessoas (pré-Bolonha), Certificado em “Behavioural Coaching”, Mediação de Conflitos e Terapia Sistémica. Membro da Ordem dos Psicólogos Portugueses, Sociedade Portuguesa de Psicoterapias Construtivistas, Associação Portuguesa de Coaching, Associação Portuguesa de Técnicos e Gestores de Recursos Humanos e Federação Nacional de Mediação de Conflitos. Certificado pela Entidade Reguladora da Saúde e acreditado na D.G.P.J. do Ministério da Justiça.

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