“FOI GALO”

por José Carreira | 2015.02.28 - 11:19

 

 

Na cozinha só tenho 5 canais de TV. Ao saborear uma fatia de bolo rei, fiz um rápido zaping e detive-me no AR TV.

Zeinal Bava captou a minha atenção! O homem considerado o melhor “CEO” e que foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Mérito Empresarial, nas comemorações de 10 de junho de 2014, prestava declarações na Comissão Parlamentar de Inquérito à Gestão do BES e do Grupo Espírito Santo.

Além de não responder com objetividade às principais questões que lhe foram colocadas ainda teve tempo para se caracterizar (“A humildade é algo que me caracteriza como estilo”) e fazer uma revelação inesperada (“Não leio jornais”). Palavras para quê, afinal o gigante que tinha pés de barro, é humilde e não se interessa pela atualidade, especialmente pelas revelações regulares do semanário Expresso, a propósito do caso em apreço.

Já todos nós sabemos, lamentavelmente, que estas comissões, em regra, são infrutíferas e não passam de um mero exercício de retórica e encenação. Quando os protagonistas revelam pouco talento e interpretam mal os seus papéis, contribuem para que o canal AR TV possa medir forças com a TVI e a Casa dos Segredos.

Cecília Meireles, deputada do CDS, com o seu ar de sempre, um misto de enjoada e emproada, terminou com a elegância a que já nos habituou: “Não estou para fazer mais questões, uma vez que não respondeu às anteriores.” Muito bem! Bava agradece e “baba” de contentamento!

Mas o pior actor foi, de longe, o inefável deputado socialista Pedro Nuno Santos. Enquanto se esforçava por manter o sobrolho carregado e um tom de voz grave, atrás de si tinha uma senhora, provavelmente sua assessora, que piscava o olho e sorria, na direção de Zeinal. Dou de barato que pudesse ser para o senhor que presidia à comissão de inquérito, sentado ao lado do interrogado…

6 horas após o início dos trabalhos, Pedro Nuno Santos termina com um significativo “foi galo”…”foi galo…”… e, pouco depois, ao levantar-se pisca o olho e sorri.

Fraca encenação, com maus atores. É caso para dizer, enquanto pisco o olho: “Foi vergonhoso”… “Foi vergonhoso”!

É por estas e por outras que não me surpreendo com a alegria demonstrada pelos partidos políticos espanhóis de sempre com supostas irregularidades do Podemos, de Pablo Iglesias. Huluantes vociferam: “Sois como nós!”