DIGA 33

por José Carreira | 2014.03.08 - 14:48

 

“Nunca se perguntaram porque é que os médicos pedem tantas vezes para repetir «33» durante a auscultação pulmonar? É que ao pronunciarmos trinta-e-três estamos a provocar sons vocais repercussivos que viajam por toda a árvore respiratória desde as cordas vocais (localizadas na laringe) até aos alvéolos pulmonares, passando pela traqueia  pelos brônquios, pelos bronquíolos. (…)  Julgo ser do conhecimento geral que as ondas sonoras se propagam melhor se houver um contínuo do meio por onde viajam.” (http://eosfilhosdosoutros.blogspot.pt)

 

Será o governo português capaz de manter um rumo continuo? Afinal de contas os secretários de estado já mudaram 33 vezes… Neste momento, apenas quatro secretários de Estado fazem parte da equipa inicial escolhida pelo primeiro ministro. Talvez, agora, o governo, repetindo mudámos 33, possa respirar melhor e denotar mais coesão interna, “propagando” melhor as suas ideias para o país.

Se a máxima do desporto “em equipa que ganha não se mexe” tiver sentido, poder-se-á concluir que a equipa governamental, inicialmente escolhida, não conseguia ganhar, obrigando à substituição de muitos governantes. No mundo do futebol defende-se a ideia de que é mais difícil mudar vários jogadores do que o treinador. Em resultado desta máxima, sucedem-se as chicotadas psicológicas, a despedida de treinadores. Mas o nosso primeiro ministro já disse que não se demite e promete fazer tudo, “absolutamente tudo”, para manter a estabilidade política, mesmo quando o “capitão da equipa” veiculou uma decisão irrevogável…

Diga 33 senhor Primeiro ministro, respirará melhor e poderá optimizar a capacidade aeróbia para atingir a meta, bem sinalizada e cronometrada  na sede do parceiro de equipa.

À saída da Troika, seguir-se-ão as eleições europeias. Estas eleições, habitualmente desvalorizadas pelos portugueses, ganham especial importância para o presente e futuro do nosso país que, em grande medida, depende das políticas definidas pelos organismos europeus.

ALERTA: na últimos jogos de campeonato terão que repetir 33 até à exaustão para que consigam inverter a curva do Grande Gatsby, assim baptizada por Alan Krueger e Miles Coral, que deixa bem claro que a grande desigualdade dos rendimentos dos cidadãos está correlacionada com uma baixa mobilidade social ou intergeracional. A não ser que se pretenda continuar a retroalimentar a riqueza das elites, mantendo o status quo vigente…