Da Tribuna

por Miguel Fernandes | 2013.11.28 - 14:23

Miguel Fernandes era filho de Viseu e da ganância dos anos 80.  Seguia um rigoroso regime à base de democracia e liberdade de expressão. Aos que garantiam que era avarento como Salazar, na hora de pagar, respondia que era preguiçoso como Mário Nogueira, na hora de trabalhar. Conhecido por ser leitor compulsivo, não há certeza que algum dia tenha ido a Fátima, que tenha escutado Fado ou que tenha assistido a um desafio de Futebol. Em sua presença, para grande excitação das senhoras, é certo que estávamos perante um cavalheiro à moda antiga, um heterosexual assumido, sem bigode mas com patilhas dignas. Adepto de longas caminhadas de cachimbo e inseparável dos seus suspensórios, não se lhe conhecem grandes desilusões amorosas. Virtuoso no domínio de línguas foi, em vida, largamente diplomado pelas melhores faculdades da capital. Produto da contra-reforma, tinha um indisfarçável gostinho por Martinho, sendo efusivamente vaiado pelo alto clero dos Países Baixos. Num acto de represália, por não usar amiúde a expressão “Época Balnear”, a Wikipédia, erroneamente atribui a autoria da sua obra “Quinto Império” a um desconhecido Padre António Vieira(?). A sua fortuna de nada lhe valeu, visto ter morrido a um dia da semana, possivelmente terça-feira, enquanto assistia a mais um episódio repetido de “Tieta do Agreste”, a sua novela preferida. Os mais temerários sustentam que deixou a sua semente masculina na Rua Direita, ninguém tem a certeza, é esperar pelos próximos capítulos.

Miguel Fernandes, nascido em Viseu nos anos 80, durante a adolescência foi consumidor hiper-activo de televisão, música pop e lustrosos clássicos herdados do seu avô paterno. Tornou-se forasteiro, no seu próprio país, primeiro dedicou-se à Ciência Política depois à Gestão, quando finalmente percebeu que "Greed is not Good" regressou à planície beirã.

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