As sanções Zero Para Portugal

por Manuel Ferreira | 2016.07.30 - 21:49

 

Soubemos na última semana que Portugal não foi penalizado pelo incumprimento da meta do défice em 2015. Boa notícia, não fosse o espetáculo cínico e o tom insistentemente ameaçador com que a Comissão Europeia tratou o assunto durante algumas semanas.
Por que razão Portugal e Espanha tinham de ser multados, quando existia um histórico que revelava que outros países já tinham transgredido o limite apontado para os seus défices e nada tinha acontecido?
Por que razão Portugal tinha de ser penalizado, quando o período em apreço foi aquele em que os portugueses fizeram enormes sacrifícios, de modo a que o pais acertasse as suas contas públicas?

Seria imoral e injusto se, na verdade, se viesse a verificar, por parte da Comissão Europeia, uma decisão baseada em dois pesos e duas medidas.
Andou bem Portugal, porque não se vergou e soube, de forma competente, madura e firme, apresentar os seus argumentos. Portugal e os outros países da UE são membros de pleno direito daquela organização, pelo que devem fazer valer os seus pontos de vista de forma a não acentuar os divisionismos, mas a recuperar o espírito europeu.

Assim, esta notícia também foi boa para a Europa, pois serviu de exemplo para outros países, para que não se amedrontem ou se verguem à prepotência e autoritarismo daqueles que se arrogam como tendo uma posição privilegiada dentro da UE.

Este resultado demonstra bem que vale a pena ser combativo e negociar e que a via diplomática continua a ser um caminho válido, quando o diálogo é possível e os compromissos são comuns.

Findo este processo, que nos retirou esforços para que o Governo se concentrasse no essencial, é tempo, como dizia o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Santos Silva, de trabalhar para “favorecer a recuperação da economia e do investimento, nos dados da balança comercial e na consolidação orçamental”. É nisto que Portugal deve estar concentrado, para que possa cumprir o Plano de Estabilidade que assumiu com Bruxelas e possa demonstrar o cumprimento das regras europeias.

Manuel Ferreira tem 49 anos e nasceu em Lamego. Casado, dois filhos. É licenciado em Filosofia pela Universidade de Letras do Porto. Possui a Especialização em Administração e Gestão Escolar e é Mestre em Filosofia em Portugal e Cultura Portuguesa. Militante socialista desde 1996, foi membro da Assembleia Municipal de Lamego entre 1997 e 2001 e Secretário do Gabinete de apoio do pessoal do Vice-Presidente da Câmara Municipal de Lamego entre 2001 e 2005 e membro da Comissão Política durante vários anos. Atualmente é Presidente da concelhia de Lamego do PS e membro da Comissão Política da Federação de Viseu.

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