A Importância de ser Ernesto

por Alexandre Borges | 2015.10.10 - 06:28

 

Anda a direita Portuguesa em polvorosa com a possibilidade de os partidos ditos de esquerda que conseguiram representação na Assembleia da Republica se poderem entender.

Segundo o que entendo para eles as eleições do passado dia 4 de Outubro foram para eleger o primeiro-ministro e não para eleger os deputados dos diferentes círculos eleitorais do país, como define o artigo n.º 149 da Constituição da República Portuguesa. Bem sei que Passos e sus muchachos, em inestimável colaboração com o seu compagnon de route Paulo Teixeira Pinto, (que depois de se ter reformado do BCP com 40 mil euros/mês, gasta o tempo na difusão do liberalismo desenfreado que tanto lhe deu e dá) bem a tentaram mudar, mas não tinha reparado que uma das alterações passava pela realização de eleições para chefe de governo.

Eu sei que é chato mas a CRP o que diz é que “O Primeiro-Ministro é nomeado pelo Presidente da República, ouvidos os partidos representados na Assembleia da República e tendo em conta os resultados eleitorais”, coisa que Aníbal para já não está a respeitar na plenitude pois ainda não ouviu (que se saiba) todos os partidos com o tal acento no Parlamento. Só para as eleições autárquicas a Lei Fundamental define que o “presidente é o primeiro candidato da lista mais votada para o executivo”. Talvez em vez de um Aníbal devêssemos ter um Ernesto em Belém.

A PàF jogou tudo numa coligação pré-eleitoral que lhe valeu em urnas menos de 39% dos votos e, para já 104 deputados. Ou a PàF carde um acordo com um partido da “esquerda” para um queijinho de 116 deputados ou estamos todos metidos numa chatice. Apenas a vacuidade de Cavaco teima em julgar que não.

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Aparentemente (e este aparente é muito carregado) é à esquerda que há condições para governar o país de forma estável. Aparentemente (este ligeiramente menos carregado) é o que Costa está a indagar. Faz bem se não for apenas bluff para ganhar poder negocial com a direita. Vamos esperar.

Após estas eleições reforcei a ideia que seria importante, para uma maior representatividade popular, que fosse constituído um círculo eleitoral nacional, valendo uma percentagem significativa dos lugares em São Bento e evitando/diminuindo a inutilidade de muitos milhares de votos nos vinte e quatro círculos eleitorais. Já que a Constituição nos afiança que os deputados representam o país e não os círculos por que são eleitos e tendo em conta a disciplina partidária que normalmente impera, é apenas lógico que isso possa assim ser.

 

Texto originalmente publicado em Canite Aguda

 

 

Natural de Canas de Senhorim. Licenciado em geologia pela UC. Virulentamente bombeiro. Gosta de discussões cordiais, de vaguear pelo mundo munido de auscultadores.

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