A ignorância que causa medo

por Manuel Ferreira | 2014.09.07 - 21:25

 

 

São poucas as coisas de que tenho medo, quando se trata de combater ideias e defender princípios e valores. Há, porém, uma coisa de que tenho manifestamente medo, que me envergonha e me encoleriza, que é a ignorância.

Não a ignorância consciente e esclarecida, a que pretende a libertação do erro, a da máxima socrática “Só sei que nada sei”, mas a ignorância manhosa, dissimulada, preconceituosa, invejosa e da calúnia.

Esta ignorância é a resposta mais assassina, a mais cruel e a que mais dor provoca. Por isso, dela tenho medo. É ela que frequentemente me causa recolhimento e me espevita o pensamento. Porque é dela que nos temos de defender e libertar.

É vulgar dizer-se, independentemente das áreas, que “não vale tudo”. Isto é, que há limites. E os limites são a aplicação dos valores éticos e morais, do respeito pelo outro, pelo que ele significa na sua condição de Homem e de protagonista profissional e social.

Contudo, ora por impreparação educacional e moral, ora por motivações de poder cego e incontrolado, nem sempre o respeito e a consideração estão na base dos relacionamentos interpessoais e dos comportamentos sociais.

Assim, face a estes desvios é frequente a aplicação da “lei de Talião”, de “olho por olho, dente por dente”, quando não soluções mais drásticas e irracionais. Para ser franco, nunca fomos muito adeptos destas soluções. Sempre acreditámos na tolerância e no diálogo, como formas de superação destas insuficiências humanas, e por conseguinte no aperfeiçoamento do Homem.

Mas quando a ignorância é mesmo aquela ignorância manhosa, dissimulada, preconceituosa, invejosa e da calúnia… o que fazer? A prática da tolerância e do diálogo serão eficazes? Começamos a ter dúvidas. Tal é a intensidade e a intencionalidade da ignorância. Todavia, não temos desistido, logo. Temos sido tenazes e persistentes na nossa missão pedagógica e edificativa. No entanto, também queremos dizer aos praticantes desta ignorância que não somos masoquistas, “anjinhos” ou “heróis” e que, por isso mesmo, devem contar com a força do nosso medo.

Manuel Ferreira tem 49 anos e nasceu em Lamego. Casado, dois filhos. É licenciado em Filosofia pela Universidade de Letras do Porto. Possui a Especialização em Administração e Gestão Escolar e é Mestre em Filosofia em Portugal e Cultura Portuguesa. Militante socialista desde 1996, foi membro da Assembleia Municipal de Lamego entre 1997 e 2001 e Secretário do Gabinete de apoio do pessoal do Vice-Presidente da Câmara Municipal de Lamego entre 2001 e 2005 e membro da Comissão Política durante vários anos. Atualmente é Presidente da concelhia de Lamego do PS e membro da Comissão Política da Federação de Viseu.

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