A EDUCAÇÃO PERMITIRÁ O TRIUNFO DO ISLÃO?

por José Carreira | 2015.05.26 - 23:15

 

 

A jovem (37 anos) ministra da educação francesa, Vallaudi-Belkacem, muçulmana de origem marroquina, está na mira da oposição, dos professores e dos seus sindicatos.

Na origem do conflito está a reforma que Hollande quer implementar na educação. O governo gaulês pretende encetar múltiplas alterações que passam por dar maior autonomia às escolas; suprimir gradualmente as aulas de latim e grego; proporcionar classes interdisciplinares…

Destaco um ponto da anunciada reforma: a História da Civilização Islâmica passa a ser obrigatória e a do Cristianismo Medieval passa a ser facultativa.

No Público de sábado, foi colocada uma questão curiosa: “Num país que tão mal tem lidado com os símbolos islâmicos no vestuário, será um “rebuçado” hollandista para sossegar o eleitorado islâmico?”.

Se a resposta à questão for afirmativa, poder-se-á estar a dar um primeiro passo para o cenário criado por Michel Houellebecq na sua fábula política e moral: “SUBMISSÃO”?

O relato da dinâmica de vitória do partido da Fraternidade Muçulmana, em 2022, que conquista cada vez mais simpatizantes, deixa bem claro quais são os seus dois principais desafios: a demografia e a educação:

“Para ele, o essencial é a demografia, e também a educação, o grupo populacional que dispuser de uma taxa superior de reprodução, e que conseguir transmitir os seus valores, triunfa; aos olhos deles é tão simples quanto isto, a economia e a própria geopolítica não passam de poeira deitada para os olhos: quem controlar as crianças, controla o futuro, ponto final. Portanto, o único ponto em que eles fazem questão, o único ponto sobre o qual pretendem uma total satisfação, é a educação das crianças.”

(…)

“Para a Fraternidade Muçulmana, cada criança francesa deve ter a possibilidade de beneficiar, desde o início até ao final da sua escolaridade, de ensino islâmico. E, de todos os pontos se vista, o ensino islâmico é muito diferente do ensino laico. Para começar, em caso algum poderá ser misto, e apenas algumas áreas estarão abertas às mulheres. No fundo, o que eles pretendem é que depois da escola primária, a maior parte das mulheres seja orientada para a aprendizagem das lides domésticas.”

Há autores visionários que merecem a nossa leitura e reflexão atenta, para que possamos perceber melhor o que acontece à nossa volta hoje é o que poderá ocorrer futuramente.

Recordo a obra “1984”, de George Orwell, que advertia sobre o potencial totalitário das democracias ocidentais, nas quais o Estado seria absorvido patologicamente pelo seu próprio poder e estaria intimamente implicado no controlo quotidiano das vidas dos seus cidadãos. Uma metáfora, é verdade. Mas não deixa de ser verdade que vivemos, hoje, num mundo de controlo monitorizado com observação sistemática, denominada vigilância. (“A vigilância adquiriu um estado líquido”, Zygmunt Bauman)

 

A EDUCAÇÃO PERMITIRÁ O TRIUNFO DO ISLÃO?