Uma “Bica” com Almeida, Sobrado & mais alguns…

por Paulo Neto | 2017.01.17 - 13:55

 

 

Chegou-nos às mãos uma publicação aparentemente lisboeta, pois no seu preâmbulo o editor, refere ser “uma revista de Lisboa para o mundo” e “para os lisboetas que amam a sua cidade”. Tem como título “Bica”.

É propriedade da Studiobox, tem a direcção de Bruno Esteves, periodicidade trimestral e é impressa na Tondelgráfica. Não nos refere a tiragem. Com alguma qualidade gráfica, traz conteúdos interessantes, onde aparecem alguns “viseenses” notáveis como Hélder Amaral, Graça Canto Moniz, Jorge Sobrado, Almeida Henriques, etc.

Proporciona passeios com o presidente do município pelo “roteiro da street art viseense”, com simpáticas fotografias ao lado da “Tia Céu” e a conversa do costume em redor das âncoras habituais, que vão desde a IBM ao hospital da CUF, à candidatura da cidade a património da Unesco, que vai ser em 2018 uma Smart City e etc. e tal e coisa.

O inefável autarca naquele seu jeito ledo de embalo cadente diz-nos que “para tudo isto é preciso comunicar”, naturalmente em detrimento do verbo “fazer” e acrescenta “hoje quem não comunica não existe”, provavelmente vítima da síndrome do holofote falante.

Discurso tão mais paradoxal quanto bem sabem, os que de perto lidam com ele e se lhe opõe nas “políticas”, como denuncia Filomena Pires, deputada municipal da CDU:

“Ignorante, preguiçoso, deprimente ou incompetente, são os adjetivos mais suaves que o Sr. Presidente não se inibe de proferir quando a argumentação política lhe é desfavorável. Há momentos em que raia o insulto com tonalidade machista imprópria e ofensiva.”

Mais adiante, a “eminência cinzenta” da autarquia, o híper valioso Sobrado dos tempos da secretaria de Estado-de-qualquer-coisa, emite belas loas acerca do verbo “feirar”, que nos diz ser um “verbo transitivo que se encontra nos dicionários inteligentes”. Pimba! Este pioneiro da vanguarda cliché, tem o condão de deixar a parolada – em que me incluo, felizmente –  atarantada com tanta atoarda. É mais um protótipo do tipo de sucesso, alcançado só com um olho, em terra de cegos & vesgos…

Toda esta “rapaziada” se promove. Eventualmente à custa dos impostos dos munícipes. Pena é que nas contas da autarquia não consigamos descortinar com clareza os custos que tal promoção pessoal, a pretexto de promover a cidade, em si comporta…

Mas o que é isso, quando “quem não comunica não existe”?