Técnicas do Sobrado, o contador de histórias

por Paulo Neto | 2019.11.06 - 16:01

No XXVI Encontro de Marketing e Administração Autárquica, realizado em Grândola, em 2017, Jorge Sobrado, num intervalo da governação, arranjou tempo para ir ensinar a Associação dos Trabalhadores da Administração Local (ATAMI) a criar “A Marca das Cidades”, servindo-se do exemplo da Viseu Marca, sua menina d’olhos d’ouro.

Pelos seus slides ficámos a saber o segredo da “coisa”:

A estratégia é para 10 anos (já quase passados) e assenta em 3 itens chave:

CRIAR UMA BOA PROMESSA;

CONTAR UMA BOA HISTÓRIA;

PROPORCIONAR UMA BOA EXPERIÊNCIA.

Ao que julgamos saber, Sobrado andou a congeminar promessas para pôr na boca do chefe. Provavelmente sem qualquer intuito de as cumprir, claro. Mas ele também nunca afirmou que as “boas promessas” são para cumprir, honra lhe seja feita. A expectativa faz o resto. E a boa gestão das expectativas, em política, é meio caminho andado.

Também não ignoramos que o homem forte do turismo & cultura é um fértil contador de histórias. Boas histórias para nos encantar.

A boa experiência que nos vai proporcionar, como a coisa é para 10 anos, deve vir a caminho. Ou talvez tenha apanhado o comboio Aveiro-Salamanca, com paragem aguardada no apeadeiro de Viseu.

Depois é só pegar nos 3 eixos ou atributos diferenciadores e pô-los a bombar:

Viriato, Vinho & Jardins.

Do Viriato, tirando umas aleatórias arremetidas, nada se viu de substantivo. No vinho, com centenas de milhares de euros gastos – os produtores agradecem – começa a saber-se que há meia dúzia deles que não têm Dão que chegue para tanta encomenda. Quanto à cidade jardim… por muitas equipas privadas contratadas, os trabalhos dos jardineiros de outrora, em tempos de Fernando Ruas, não foram ainda suplantados. E se há 3 ou 4 pontos nodais que brilham (a parada), a cidade jardim, por vezes, mais se parece com um monturo de lixo.

O Sobrado é um mágico a vender teorias e iluminar os devotos. Está no papel dele. É pago para isso. Haver quem vá na labieta é que já é preocupante – tirando, claro, os amesendados crónicos de malga em punho… que esses, também estão no seu papel.

Paulo Neto