Suspensão do isolamento para ir votar?

Não compreendemos, nem quem manda parece compreender, que tal hipótese pode ser uma faca de dois gumes, pois aqueles que não estão infectados, isolados ou não são contactos de risco, podem dizer: eu não vou votar pois o acto pode ser perigoso nestas circunstâncias, ademais com os confinados… desconfinados.

  • 16:49 | Domingo, 09 de Janeiro de 2022
  • Ler em 2 minutos

A proposta de se fazer uma suspensão do isolamento dos cidadãos infectados para irem votar no dia 30 de janeiro é uma medida de inclusão, mas pode ser também uma opção arriscada.

Percebemos que e perante o pico dos casos transmitidos pela variante Ómicron, haja uma maior percentagem de abstenção eleitoral;

Entendemos que o governo, visando evitar essa abstenção, ou minimizá-la, proponha uma pontualíssima suspensão desse isolamento, do género, vou ali votar e já volto;


Compreendemos que a abstenção possa ser uma legítima preocupação para muitos portugueses e aqueles que vão a votos;

Não percebemos muito claramente este pisca-pisca do estar-e-não estar, do ir-e-não-ir;

Não entendemos que haja alguma prioridade acima da saúde da população;

Não compreendemos, nem quem manda parece compreender, que tal hipótese pode ser uma faca de dois gumes, pois aqueles que não estão infectados, isolados ou não são contactos de risco, podem dizer: eu não vou votar pois o acto pode ser perigoso nestas circunstâncias, ademais com os confinados… desconfinados.

Somos dos que nunca nos abstivemos. Dos que que criticam a abstenção. Iremos votar com redobradas cautelas. Por isso, para bem de todos nós, esperamos que entretanto sejam tomadas medidas sanitárias concretas e operativamente eficazes para obviar a um disparar dos casos no pós-eleição, momento em que decerto haverá muitos com urticária, mas esses serão alguns dos políticos perante os resultados e… convenhamos, a urticária cura-se com uma boa pomada.

Acresce que uma campanha de informação bem concebida, atempada, transparente e inequívoca, seria muito bem vinda. Matéria em que a DGS nem sempre é feliz. A juntar às infelizes declarações que ouvimos dos comentadores profissionais, cada um com sua ideia, à média de uma dúzia por dia… Ou seja, ruído e poluição sonora tóxica e desinformativa para as tv’s poderem estar no ar a transmitir conteúdos, a qualquer custo.

 

(Foto DR)

Gosto do artigo
Palavras-chave
Publicado por
Publicado em Editorial