Síntese de alguns recentes escândalos na banca portuguesa (I)

por Paulo Neto | 2014.12.15 - 20:50

Iª Parte

No barbeiro, enquanto aguardava vez, peguei e li esta passagem curiosa de um livrinho que agora sai com um semanário nacional, “Grandes Entrevistas”:

“Bernard L. Madoff está a fazer terapia. (…) É frequente chorar durante as sessões. (…) Sente-se incompreendido. Não suporta pensar que o consideram má pessoa. (…) Fora da prisão todos insistem em apresentar-me como um sociopata – comentou Madoff certa vez com a terapeuta. – Perguntei-lhe: ‘Sou um sociopata?’ – Aguardou, expectante. (…) A terapeuta respondeu: “De forma alguma. O senhor tem valores morais. Sente remorso.”

Madoff cometeu burlas de pelo menos 50 mil milhões de dólares…

 

 

UM

Finais de 80, quem é que ainda se recorda privatização do Banco Totta & Açores?

Champallimaud foi indemnizado pelo Estado e depois o banco passou por várias vicissitudes até que José Roquette e o Banesto de Mário Conde ficam a controlar 40%, acabando Roquette por receber perto de 40 milhões de contos da venda aos espanhóis.

Surge a holding Plêiade. Aparece Dias Loureiro com a concessão da rede de abastecimentos de água a Marrocos (recém-entrado na sociedade com 15%). Esta empresa acaba vendida ao BPN.

Champallimaud, com a ascensão de Cavaco Silva ao poder recebe 10 milhões de contos de indemnização. Compra 51% da Mundial Confiança. Depois, 53% do BPSM por 37 milhões de contos, no governo Cavaco/Cadilhe.

Entretanto aparece por aí Alípio Dias, entre outros. Não obstante estar banido pelo Banco de Portugal da carreira bancária, apesar do apoio de Marques Mendes e Manuela Ferreira Leite, fica a trabalhar com Stanley Ho… e torna-se destacado apoiante da candidatura de  Passos Coelho.

 

DOIS

Quem é que ainda se lembra do caso BPP/João Rendeiro?

Este banco tinha accionistas e órgãos sociais de renome como Balsemão, Júdice, Deus Pinheiro, Nogueira Leite, Rui Machete, Álvaro Barreto, João Cravinho…

Depois de rebentar em 2008, Rendeiro, Fezas Vital e Paulo Guichard, os administradores, são acusados de burla qualificada.

Sócrates garante um empréstimo da banca portuguesa de 450 milhões de euros para salvar o BPP, enquanto os gestores vendiam as acções nos dias que antecederam a ajuda do Banco de Portugal.

Nos três anos anteriores à falência do banco, este distribuiu dividendos de 30 milhões de euros por Balsemão, Saviotti e Rendeiro.

Os três administradores acusados, segundo a CMVM, terão desviado aproximadamente 100 milhões de euros.

O presidente do conselho fiscal, Pinto Barbosa, nada viu. O PSD indicou-o depois para chefiar o grupo de trabalho cuja função era definir os critérios de fiscalização das contas públicas. O PS aprovou. Estamos falados.

 

 

… continua amanhã.

 

(Foto DR)