Salários milionários exigem prestações lucrativas…

por Paulo Neto | 2016.10.20 - 14:06

 

…o que não tem sido, até agora, o caso dos administradores da CGD, o banco público.

E porém, apesar destes salários milionários acrescidos de mordomias que nem sequer imaginamos, as prestações das sucessivas administrações conduziram a CGD a um catastrófica situação financeira com créditos mal parados centrados em duas dezenas de “clientes”, com montantes superiores a 4 biliões de euros. Fora o resto…

Não obstante, as administrações cessantes continuam a usufruir das regalias inerentes ao tempo passado no cargo, mas, em contrapartida, nunca foram julgadas pelos seus actos profundamente lesivos do erário público, na má gestão que fizeram dos cargos que lhes foram confiados.

Se o novo administrador da CGD vai ganhar por dia muito mais do que 75% dos portugueses recebem num mês, o mínimo que se lhe deve exigir, não é o milagre da multiplicação dos pães, mas sim, uma gestão transparente, sem cedências alarves às nefastas ingerências do poder político, sem conluios com a entidade supervisora (?), o Banco de Portugal, mas e fundamentalmente com a certeza de que tem a capacidade, a competência e o rigor para tirar da pantanosa desgraça em que se encontra, aquela que foi a maior instituição bancária portuguesa.

Compreendo a moral que subjaz às críticas. Porém, na minha óptica, se o novo administrador puser a instituição “nos eixos”, ele valerá quanto pesa. Mas também, se agravar o actual “estado de sítio” que lá se vive, deve ser julgado pela sua incompetência, negligência, incúria e maus resultados. Pelourinho com ele.

Não podemos pensar que há gestores de topo a vintém a dúzia. Isso é uma mera ilusão… e um populismo gracioso.

 

(foto DR)