PS Viseu, leira das oportunidades ou dos oportunistas?

por Paulo Neto | 2017.02.25 - 13:53

 

 

Foi bonita a festa, pá ”, cantava Chico Buarque em “Tanto Mar”. Quem não se lembra:

“Foi bonita a festa, pá / Fiquei contente, / Ainda guardo renitente / Um velho cravo para mim. / Já murcharam tua festa, pá / Mas certamente, / Esqueceram uma semente /Em algum canto do jardim…”

Ontem, a esperada reunião do dia 24 na sede do PS Viseu foi um sucesso, com um estrondoso número de 46 militantes para escolherem o candidato à CMV. Ou melhor, a candidata. Ou melhor ainda, para votarem na única candidata, Lúcia Silva que, com um sopro devastador, afastou todos os promissores contendores.

Perante a animação geral, lá se procedeu à votação secreta para a candidata única, nos boletins com um nome distribuídos pelos presentes, o de Lúcia Silva, com um quadradinho à frente. Ou seja, o eleitor podia abster-se, votar branco, votar a favor mas… não podia votar contra. Como no tempo do José… Estaline, claro. Também não havia uma urna de voto, tendo-se improvisado um arquivador em papelão para o efeito, quase a lembrar os gloriosos tempos do PREC (Processo Revolucionário em Curso, para os mais jovens). O resultado foi: 15 brancos, 3 nulos, 28 sim. Habemus Lúcia…

Houve algumas intervenções. O habitual. As dos louvaminheiros costumeiros que gabam sempre qualquer elevador a subir, as dos “nim”, que falam porque gostam do seu tom de voz e da eloquência retórica dos seus adjectivados ditirambos e, uma voz coerente com a sua actuação, a de Miguel Ginestal, o compadre de Junqueiro, de Seguro e de Almeida Henriques, que depois de nos ter dado uma lição de que “não sendo eu não é ninguém”; depois de se ter factualmente posto ao lado do “arrasador” António Borges contra o seu dilecto amigo João Azevedo e feroz inimigo – foi deputado em vez dele – Acácio Pinto; depois de ter colocado o clã por ali, além e acolá – ainda se recordam da polémica nomeação do Ginestal da Escola Profissional Mariana Seixas para o IEFP de Tondela, que tanto irritou a Concelhia local? – veio com incenso e mirra abençoar a “candidata que pensa pela sua cabeça”.

O habitual remake do “the dark side of the moon”.

António Espinha Ribeiro de Carvalho, um dos derradeiros e consistentes Senhores do Partido Socialista local, com a hombridade, a frontalidade e a coragem que sempre mostrou vida fora, foi a voz discordante, ou “no man” da coisa, no meio da escassa meia dúzia de intervenções, para reiterar: “A nossa candidata Lúcia Silva não está preparada para ser candidata à Câmara… nunca a ouvi falar de Património, Planeamento, Centro Histórico… “ e etc. e tal.

Não foi uma epifania, mas foi decerto um lavrado e lúcido epitáfio.

O Antunes-candidato-a-candidato saiu “borrado” no retrato. Mais um fait-divers na tragicomédia socialista da concelhia de Viseu, tão desastrosamente conduzida por Adelaide Modesto, um nome para esquecer.

O Antunes-candidato-a-candidato que se deitou abaixo (também ninguém sabe quem misteriosamente o “ergueu para cima”), não apareceu nem justificou a sua atitude. Deve julgar-se acima dessas minudências, como gerente bancário em fulgurante ascenção…

Adelaide Modesto, a presidente da Concelhia em funções há quatro anos, hoje tal como Lúcia Silva que a antecedeu, passou o seu mandato a ver navegar os transatlânticos no Pavia, incapaz de uma qualquer estratégia que conduzisse a uma dinâmica de candidaturas e a provar sem equívocos que a renovação, no PS, continua em alta. Alpina, mesmo…

Tudo, claro está, à boa imagem e melhor exemplo do comendador, ex-presidente da CM de Resende, ex-deputado e actual vogal do conselho de administração em 2ª escolha das Águas do Douro e Paiva, António Borges, ainda “mazarínico” presidente da Federação do PS Viseu, que e taxativamente disse aos socialistas do distrito ao que tinha vindo: Tratar da vidinha, pois claro… como aliás, já tinha sido flagrante exemplo o dado pelo vice da Federação, Miguel Ginestal, que num ápice trocou a “paixão pela Educação” pelo “amor à indústria farmacêutica“…

O PS Viseu é hoje uma tragicomédia ou uma ópera bufa, escolha o leitor. Deve agradecê-lo a dois indivíduos… Mas quem verdadeiramente agradece é Almeida Henriques e o PSD, que devem estar na sede, a tomar o pequeno almoço e a rir-se a bandeiras despregadas, deste para eles “temível” desfecho.

Parabéns à Lúcia Silva, deputada, candidata à edilidade e futura vereadora da Câmara de Viseu.

 

(foto DR)