Pictures at an exhibition

por Paulo Neto | 2014.05.01 - 21:17

 

Esta fotomontagem é uma metáfora de alguns comportamentos duais, onde o ser e o parecer se confundem e agridem.

Nela se patenteia a realidade que se ignora e aquela que se quer exibir.

Está o corpo “sujo” e o corpo “lavado” da urbe.

O visível e o invisível.

A montante das polémicas estéticas sobre a estátua de Dom Afonso Henriques e da rotunda onde foi colocada, evidenciam-se a jusante realidades que os holofotes não desvendam e não se embrulham no escarcéu de novo-riquismo cultural.

Fala-se muito da estátua nova.

Esquece-se o património “velho”.

Já aqui alertámos, repetidamente, para a estátua às Mães, no Jardim das Mães e no estado de abandono em que se encontra; já aqui falámos, recorrentemente, da estátua do S. Francisco na Rua do Arco, asfixiada em imundície… e de outros mais casos.

A vereação cultural ignora, ou ignorou, até aqui.

Não criticamos para evidenciar desméritos, não o fazemos para deslustrar A, B ou C.

Também nós gostamos de Viseu e não outorgamos a ninguém o direito de disso duvidar.

“Viver Viseu”  – slogan feliz –  é mais abrangente que certos fogos –faralhos mediáticos.

“Viver Viseu” é, também, estar atento ao seu pulsar, não só na cabeça ou no coração, mas pelo corpo todo.

Viseu não é apenas o Rossio ou o Centro Histórico.

Viseu é um concelho com 34 freguesias, uma área de 507,10 km2 e 99.274 habitantes.

Felizmente que o concelho tem excelentes juntas de freguesia (e não falamos da de Viseu) alheias aos maus hábitos da riqueza nova e ao desbarato do dinheiro público.

Mas isso é outra conversa para outra oportunidade…