Pão, Senhor Presidente!

por Paulo Neto | 2015.04.10 - 14:27

Os apaniguados pululam, exorbitante, desmesurada e despudoradamente por aí.

Dir-se-ia que crescem de geração espontânea, descontrolados, sem mão que os acautele nem praga que os definhe.

Por mero exercício conjectural é até plausível considerar que os tempos e espaços actuais são propícios e propensos à proliferação maninha de tal e tão daninha estirpe.

Numa sociedade letárgica, ociosa e permissiva, onde o comprazimento de compadres e compadrios é carta de alforria e diploma de medíocres para alquilar mulinho de estampa para a carroça do aprovisionamento, os apaniguados são, consentaneamente à origem da palavra, aqueles que são mantidos por outrem, os protegidos, os favoritos, os favorecidos de outro. Em suma, os dependentes.

Contudo, apaniguar é sustentar a pão e água, manter, proteger.

Hoje, os apaniguados, se perderam a essência da etimologia defintória, pois ao pão e água essenciais viram desdenhosa a espalda, mantêm, porém, a situação de tutelados no desamparo.

As leis ímpias da vida, se os criaram — e sendo efeito — careciam de causa e lógica estrutura de sustentação. E então geraram (a ordem do seu aparecimento é meramente arbitrária) os tutores da orfandade de apaniguados, que se são também prodigamente emergentes, têm por condição granjeada, o acréscimo da prosperidade. E a prosperidade que outrora era a boa fortuna e a riqueza, transmutou-se nos nossos dias no mester de semeadores da coisa pública…

Nota: Amanhã conclui-se este editorial com os “apaziguados”, tão símiles dos “apaniguados”.