O Viriato… Deus lhes perdoe as patranhas

Tudo começa com o tristemente célebre funicular de Fernando Ruas, uma parolice sem qualquer valimento inaugurada com pompa e circunstância em 2009, antes pelo contrário, um deslumbramento do autarca que tem custado muitos milhões ao município, não serve para nada e não passa de um emplastro incómodo.

  • 10:42 | Quinta-feira, 10 de Fevereiro de 2022
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Toda a gente atenta se lembra das campanhas divulgadas a sete cornetins que atordoavam os ares com a ideia de Viseu Smart City.

Chamados a noticiar, vieram jornais, rádios, televisões. Nos “summits” do reino vendeu-se a ideia que ninguém questionou. Tudo eram rosas e maravilhas tecnológicas a provar que Viseu usava recursos de ponta para benefício dos seus munícipes e incremento da sua qualidade de vida.

Em vão. Hoje percebemos que tudo não passou de uma gigantesca atoarda, ou como o PSD local gosta de dizer, um “embuste”, que promoveu 2 ou 3 autarcas, com magnânimos gastos dos dinheiros públicos, para mostrar uma realidade inexistente, virtual, mentirosa. Uma ficção…


Afinal, o conceito importado de “smart city”, hoje, à distância de três anos, mais parece não ter passado do estádio de “dumb city”.

Tudo começa com o tristemente célebre funicular de Fernando Ruas, uma parolice sem qualquer valimento inaugurada com pompa e circunstância em 2009, antes pelo contrário, um deslumbramento do autarca que tem custado muitos milhões ao município, não serve para nada e não passa de um emplastro incómodo.

Para contrapor, o executivo seguinte, com muita gala do vereador do pelouro, João Paulo Gouveia, actual vice-presidente de Fernando Ruas, veio o “Viriato” que seria “o primeiro transporte autónomo e eléctrico em Portugal”! Teria como função substituir o “pasmado” funicular, pelo executivo de então considerado uma inutilidade e uma nulidade. Viria em Janeiro ou Fevereiro de 2019 e era um “transporte não tripulado, com 9 metros de comprimento, movido por um motor eléctrico de 60 quilowatts, criado pela Tula Labs.

O Viriato, afinal, era uma espécie de brinquedo deslumbrante que, pasme-se, sem existir – a não ser na tal realidade virtual – até foi apresentado ao mundo arregalado na “Portugal Smart Cities Summit”, onde os proponentes da ideia fizeram um brilharete.

Pelos vistos é fácil, neste crédulo mundo, brilhar com a mentira…

Era tão bom, tão bom que, segundo o executivo de então até iria gerar poupanças de 80 mil euros/ano. Funcionaria 24 horas por dia, 7 dias por semana… Alguém o viu por aí?

E se não bastasse, até o vereador Gouveia, orgulhoso do seu “excelente” trabalho em matéria MUV, foi vender a imagem aos crédulos.

Viseu aposta em diferentes alternativas de transporte

Agora, quando estamos a 3 anos da miragem, Fernando Ruas, ainda e sempre orgulhoso do seu “funicular”, vem dizer que é “para continuar a funcionar”. Mas mais, peremptoriamente declara que “não encontrou nada sobre esse projecto na Câmara de Viseu”.

A ser assim, tudo isto não passou de uma monumental patranha, como eventualmente outras haverá e que a seu tempo serão conhecidas.

É tempo do 3º autarca ainda em funções, João Paulo Gouveia, explicar o que se passou afinal, sob pena, fundamentada, de ficarmos a pensar que tudo não terá passado de mais uma “história da carochinha para encantar as criancinhas”…

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