Ó rica Caixa…!

por Paulo Neto | 2016.10.27 - 09:27

 

 

Até hoje o governo não tem feito mais que inquinar a nomeação do administrador do banco púbico, a CGD, que bem dispensaria a série sucessiva de trapalhadas em que se tem embrulhado.

Mais ainda numa situação em que as anteriores administrações, por erros sucessivos e fretes políticos, deixaram um buraco financeiro de biliões de euros que os portugueses, uma vez mais, vão ter que pagar, ficando os responsáveis impunes e alapados nas suas doiradas sinecuras, apesar de serem os geradores/gestores da “catástrofe”.

António Domingues deve ser um tipo muito especial, um “golden COE”, um milagreiro da banca, um irrefragável administrador de confirmadíssimos créditos e profícuos resultados, para justificar tanta birra, tanta excepção, tanta exigência, tal charivari

Vindo do BPI onde deve decerto ter feito uma gestão de altíssimo gabarito, traz consigo grande experiência , cinquenta e tal mil acções dessa instituição e uma choruda reforma. Além disso, uma cara de fabiano mal-disposto. O que é bom…

O salário de meio milhão de euros anuais, acrescido das inimagináveis mordomias em vigor naquela casa e para os seus quadros superiores, se gerou ou está a gerar muita polémica, esta, reside em parta nalguma demagogia populista. Já sobre isto escrevemos. Não há gestores de topo a vintém. Mas pode havê-los com remuneração por objectivos.

O homem põe a casa a dar lucros, resolve o assunto dos créditos mal-parados de mais de 4 biliões a 20 entidades. Põe na ordem a cáfila de quadros ascendentes medíocres e decisores de mera nomeação política. Varre a casa. Faz-lhe entrar muros bafientos adentro uma lufada de ar fresco. Corre com os “tóxicos” que a infestam, a nível nacional e distrital. Cria e impõe uma cultura de mérito e de claríssimos objectivos e, fundamentalmente, apresenta resultados líquidos inquestionáveis.

Se assim for, António Domingues é um herói, valerá o seu peso em ouro e Marcelo Rebelo de Sousa outorgar-lhe-á uma comenda. O resto é treta.

Porém, esta dança barroca em que o governo e o ministro da tutela se enrodilharam com muita indecisão e maior inépcia, oportunamente aproveitada por uma oposição que navega num vácuo de frutíferas ideias e por uma comunicação social a soldo dos grandes grupos do capital, transformou um processo que deveria ser exemplarmente modelar numa pantanosa cacofonia de histéricas vozes, em coro entoando requiens no funeral de um indivíduo que querem matar à nascença. Governo incluído.

Porquê?