“Ó querida, você…”

por Paulo Neto | 2014.10.02 - 16:11

 

 

A educação é um bonito adereço que não serve em todos os corpinhos. Qualquer pessoa que está num local de atendimento/contacto com o público/utente mostra a sua elevação e princípios dela fazendo regra e não excepção comportamental.

Qual a reacção do leitor se for a um estabelecimento ou loja, pode ser a Fnac, a Worten, a Zara, o Rodízio Real… e um(a) funcionário(a) se virar para si — no caso concreto uma senhora com o dobro da idade de quem a atende, ou seja, idade para ser mãe da criatura — e se lhe dirigir nestes termos “Ó querida, você…”

Claro está que os funcionários dos sítios supra referidos são pessoas com princípios, educadas, correctas, corteses, delicadas…

 

Ontem, uma profissional de saúde virou-se para a doente que eu acompanhava a uma Urgência e assim a ela se dirigiu: “Ó querida, você…!”

Senhora doutora permita-me este singelo conselho, de alguém que tem idade para ser seu pai e com a educação que recebeu no berço:

— “Queridas”, são as tias e as namoradas. “Você”, é estrebaria. Percebe?

Com que consignado direito usa dessa complacência desajustada com uma utente que dá entrada num hospital em situação de exposta fragilidade e falta de saúde?

É a tão falada “humanização dos serviços”?

É a bata branca com o nome da instituição pública que serve que lhe outorga tal direito, ou o estetoscópio-símbolo de classe que ostenta?

A Senhora doutora até pode ser uma excelente profissional. Ficaria perfeitinha se a esse nobre estatuto acrescentasse o da “boa educação”. Mas esse não se estuda nos livros para entrar na Faculdade, pois não, Senhora doutora?