O futuro do Expresso e a boa vontade da Altice

por Paulo Neto | 2015.07.07 - 12:57

 

 

Segundo os últimos indicadores, o jornal Expresso, do Grupo Impresa, de Francisco Pinto Balsemão, tem vindo a decair em leitores e vendas a uma media de 5%/ano nos últimos 6 anos.

Esta queda de 30% dá-nos, por exemplo e a nível do distrito de Viseu, um decréscimo de 2.400 vendas/semana para, aproximadamente, 1.680. A título de mero exemplo, o CM vende diariamente à volta de 700 exemplares.

Cientes desta realidade e de que o futuro próximo da CS não passa pelo papel, pela incomportabilidade dos seus custos e pela crescente difusão dos meios de comunicação digitais, o Expresso apostou fortemente – e bem – no online.

Se até aqui a PT contribuía fortemente com 30 milhões/ano de publicidade, distribuída pela SIC, Visão (mais uma dúzia de revistas) e Expresso, com a compra da PT pela Altice, Armando Pereira precisa de ser muito bem convencido para manter este volume extraordinário de investimento em publicidade, terminando o contrato SIC/TV/Meo no decurso deste ano e prevendo-se um corte estimativo de 70%.

Também se aponta à Impresa uma dívida líquida de 180 milhões. Muito abaixo do real valor das suas “jóias da coroa”, no montante de 520 milhões de €.

O Expresso, com o Digital já gera 2 milhões em publicidade, de um total de 9,5 milhões. A tendência é para crescer no digital e continuar a cair no papel (valores de 2014), em função da expectável queda de mais 25%.

De realçar os 3,5 milhões de visitas/mês dos sites da Impresa e o consequente crescimento de 20%/ano.

Em suma, uma reinvenção urgente de estratégias (que pode passar por África) e a boa-vontade da Altice vão ser determinantes para o futuro imediato deste grande grupo.