Na Assembleia Municipal, há de tudo, como na farmácia…

por Paulo Neto | 2014.10.15 - 00:01

 

Aproveitei um bocado despreocupado de tempo para ler algumas actas da Assembleia Municipal de Viseu.

Não, não sou masoquista, antes acho até ser uma leitura interessante apesar de, ao se transcreverem discursos orais onde a fluidez do “verbo” derruba muitas vezes a semântica, arremete na gramática e esbarra na sintaxe, estes deverem ser um pesadelo para os secretários transcritores… daí, por vezes, sua dificuldade de compreensão.

Para quando a fidedigna gravação em cd e a sua distribuição atempada pelos deputados?

Embora e em boa verdade, um escrito a posteriori sempre possa dar um jeitinho formal aqui e compor um deslize acolá.

Das muitas páginas lidas há realidades que se evidenciam. A saber, esta Assembleia Municipal tem em Ribeiro de Carvalho, do PS e em Filomena Pires, da CDU os seus mais brilhantes e coerentes deputados. Fernando Figueiredo tem estado ausente de Portugal, ele que é pragmático e muito operacional. Baila Antunes e Alberto Ascensão também se destacam positivamente. A fileira do PSD esgrime uma arrogância de novo-riquismo político com Pedro Alves à cabeça a louvaminhar os “chefes” mais suas políticas e uma despiciência discursiva de Teodósio Henriques, a raiar o  desconserto. Carlos Vieira, do BE, animoso e cheio de boa-vontade, perde-se nas ruelas da confusão elocutória por onde envereda frequentemente. Quanto ao presidente da autarquia… ora explica em papel químico triplicado o que os seus lugares-tenentes previamente já tinham redito – na teoria do bis placent repetita? – ora usa de um paternalismo desajustado de quem “dá esmola ao ceguinho”, ora se vitima muito (ai! ui ai!) com a rábula do “preso por ter cão, preso por não ter” …

Há algumas explanações interessantes, na última acta da reunião de 30/06/14. Uma delas prende-se com a extinção da Expovis e sua possível substituição pela Associação Viseu Marca – Associação de Cultura, Eventos e Promoção.

Mas a esse assunto, com algum pano para mangas, voltaremos em tempo oportuno. Até e porque, para já, soa a história mal “desenhada” em muitos dos seus recortados contornos…