Hub de energia???

por Paulo Neto | 2015.04.09 - 11:33

 

O “caso Grécia” parece um desafio de futebol. De um lado Atenas do outro a Europa e instituições como o Eurogrupo, o BCE, o FMI, etc.

Há adeptos de ambos os lados. Aceita-se que a balança oscile entre a razão e o coração. Que de um lado estejam os “vilões” e do outro os “bonzões”… Uma espécie de intriga do tipo Xerife de Nothingale versus Robin Hood. Temos uma tendência a ficcionar a factualidade. Em certa medida, culpa dos políticos que nos governam muito com a virtualidade dos seus actos e pouco com a realidade do seu agir.

Nesta era fantástica – em toda a acepção semântica do termo – existe um continuum de delírio que a todos, em maior ou menor grau alucina e afasta do real circundante. Felizmente, por um lado e pela nossa sanidade. Infelizmente pela falsidade em que se esteia e consequente deturpação da verdade.

Ontem, Tsípras deu início ao denominado plano B. Virar costas ao Ocidente e ouvir as propostas da Rússia. Putin afirmou ter havido um diálogo onde foi discutida “cooperação, não ajuda”. Acreditamos. Há tantas nuances nas palavras, nomeadamente quando na boca dos políticos…

“Queremos aumentar o papel da Grécia como hub de energia.”, enfatiza Tsípras.

Hub é em inglês pivot, ou concentrador para redistribuição para múltiplos destinatários. Uma espécie de plataforma logística, neste contexto, no campo do gás natural. O gasoduto para a Europa via Grécia (ou Turquia), que à Rússia faz falta como o pão para a boca, agora agravado ainda com as sanções decorrentes do conflito ucraniano.

Por outro lado, em modo revanche, a Rússia cortou com as importações de legumes e frutas dos 28 estados europeus. Grécia incluída. Que agora sairá dessa lista negra. E mais falaram acerca dos domínios da captação de investimento russo na Grécia, na interacção turística e energética.

Sem resolver os problemas de Atenas, a Rússia acena com a bandeira da cooperação e põe termo à via única europeia. Ou seja, desentala Atenas…

No entreacto, a Grécia renovou a dívida por seis meses, paga os 448 milhões ao FMI, que lucrou com estes concretos empréstimos, desde 2010, 2,5 mil milhões de euros e abre-se também à cooperação com a China, invocando um papel activo no desvanecimento da Guerra Fria. Também nem era preciso ir tão longe nas boas acções…

A procissão ainda está na sacristia, depois passa ao adro, às ruas do poviléu e… até retornar ao ponto de partida, tem muito que andar. A ver vamos…

 

(cartoon DR)