Há diferenças entre Costa e Coelho&Portas?

por Paulo Neto | 2015.08.04 - 11:23

 

…Diria que um abismo os separa.

Logo à partida, os “contendores” são em número desigual. Para ir à luta com Costa, são precisos dois pesos-leves. Para lutar contra o Partido Socialista, a direita teve que se coligar num “Prá Frente Portugal”, PSD/CDS. E ainda assim, Coelho, com o “emplastro” às espaldas (ou vice-versa), em sondagens de duvidosa virtude, já não dá para a as encomendas.

E se Costa tem mantido um esfíngico silêncio, de tão sereno, a dupla dos Dupond faz por Ceca, Meca e Freixo de Espada à Cinta um estrepitoso bruáá.

Se Costa aparenta ter uma equipa inábil, onde até um “de Ataíde” parece ter bebido a inspiração gráfica para a campanha num garrafão de fel, os Dupond, não facilitam nem brincam em serviço.

Se Costa sempre disse lutar para governar com uma maioria, Coelho atordoava há bem pouco tempo que não governava para ganhar eleições, e de repente, numa cambalhota de 180º, parece apenas governar — temporariamente — para esse fim.

Nada que nos admire, pois é um pisca-pisca, que ora acende, ora apaga. E di-lo onde? E di-lo como? Di-lo nos 4 pontos cardinais de Portugal, numa “fona inaugurativa” do já inaugurado, ainda não acabado, talvez nunca concretizado. Di-lo em praças e arraiais, em todas as autarquias laranja, em todos os colóquios, congressos, seminários e demais locais onde pressinta 2 portugueses com pachola para o ouvir. E di-lo como? Através de todos os canais televisivos, a todas as horas do dia, em todos os noticiários que abre e fecha, em primeiras páginas prenhes de título sonantes da nossa isenta imprensa.

E isto tem custos, esta publicidade remartelada, esta anáfora da exaustão? Claro que os há-de ter e alguém os há-de pagar, sabendo nós como vive a CS da publicidade institucional e dos grandes grupos discretamente colados ao poder. A qualquer poder…

Entretanto, Costa, por eles relegado para um ardiloso 2º plano — já não lhe bastava a auto discrição — deu no sábado passado, ao jornal i uma entrevista onde, sem estrídulos histerismos, disse das suas verdades. E se as verdades dos políticos raramente rimam com a verdade vivida quotidianamente pelo cidadão comum, vale a pena destacar alguns itens…

Com a devida vénia aos jornalistas Ana Sá Lopes e Rita Tavares (texto) e Ana Brígida (fotografia).

Sobre a Educação e a ministra atarantada de Sócrates: “Não é possível fazer reformas contra toda uma classe profissional. As reformas fazem-se mobilizando as pessoas e têm de ser geridas, têm de ser dialogadas. Vi o absurdo que constituiu aquele modelo de avaliação de professores. (…) Não me surpreendeu o grande castigo político que o PS sofreu por tudo isso.”

Sobre a austeridade, diz Costa: “O grande mérito do nosso cenário macro-económico foi o de acabar com o mito de que não há alternativa à austeridade dentro do euro. A direita diz que é preciso austeridade para nos mantermos no euro e a esquerda radical diz que é preciso romper com o euro para nos livrarmos da austeridade. (…) É preciso mudar de política cumprindo as regras do euro e esse é o nosso plano A (…) mas temos um plano B (…) desejamos que elas possam ser mudadas não numa lógica de confrontação mas de negociação. (…) As regras na Europa não se mudam em confrontação nem isoladamente. Mudam-se por negociação e na construção de alianças. Recusamos a estratégia da submissão que o governo tem assumido…”

Acerca dos programas para a próxima legislatura: “Nenhum dos nossos concorrentes apresentou até hoje um estudo económico, é até duvidoso que tenham apresentado um programa. E o que sabemos da coligação de direita é que ao longo destes quatro anos todas as previsões que fizeram falharam e todos os objectivos que traçaram fracassaram.

No tocante à UE: “A União Europeia não é o mundo da Alice no País das Maravilhas (…) Sei bem que nada é fácil de obter na União Europeia, mas também sei que poucas coisas são difíceis de obter (…) Este governo foi o primeiro governo português a apresentar-se em Bruxelas de forma submissa, nunca se bateu por nada em defesa do interesse de Portugal e isso é absolutamente imperdoável.”

Ao longo de 6 páginas, Costa vai respondendo a todas as pertinentes questões que lhe são formuladas, a nenhuma fugindo com truques de malabarista. Convidamo-lo a ler integralmente a entrevista, surpreendente pela positiva, na versão on line do i de 1 de Agosto.

Deixamos só mais esta declaração acerca de impostos: “Não haverá novos cortes de pensões, haverá eliminação da sobretaxa de IRS, haverá reposição dos cortes nos apoios sociais, mas deixará também de haver a continuação da redução do IRC, existirá o novo imposto sucessório, uma taxa sobre empresas que abusam da precariedade. As medidas foram avaliadas, testadas e permitem-nos assumir compromissos. Só prometo o que sei que posso cumprir.”

Habemus Costa?

 

(foto DR – Costa na Rua Direita)