Ficção em meia dúzia de actos

por Paulo Neto | 2015.07.05 - 20:35

 

Sem saudosismos, o euro esgotou-se em poucos anos… Três decénios bastaram.

Há quem defenda que a privação da moeda própria de um país é o primeiro passo para a sua aniquilação, pois obriga o Estado a recorrer aos bancos e investidores internacionais.

Em simultâneo, é necessário incentivar os políticos a gastarem muito mais do que os proventos do Estado. De seguida, surge um banco supranacional (do tipo BCE) supostamente autónomo e se os políticos demorarem a nele se endividar, há que encontrar alternativas, como uma boa crise internacional, do tipo subprime 2008. Entretanto coloca-se à frente desse banco um Power Mario. Pacientemente deve esperar-se pela falência dos países mais frágeis e exigem-se medidas conducentes ao célere pagamento da dívida.

O polvo corrupto da política, os amigos banqueiros e demais empreendedores, com os seus business angels, mais ou menos às claras arrecadam milhares de milhões. A austeridade gera uma legião imensa de novos-pobres e uma mão cheia de novos muito ricos. A precaridade instala-se. Os patrões ou os cabeças-de-turco dos patrões fazem o favor de dar uma migalha salarial à longa fila de pré-indigentes no desemprego. O custo do trabalho cai para menos de metade. Em nome da crise disparam os impostos. Perdem-se os direitos sociais. Degradam-se os serviços públicos e acena-se aos utentes com o milagre dos serviços privados.

Tolhe-se a Justiça. Degrada-se a Educação. Encarece-se a Saúde… Privatizam-se todos os serviços públicos.

Os meios de comunicação de massas, nas mãos dos bons patrões, banqueiros e/ou seus lugares-tenentes, explicam carinhosamente ao povo que não há dinheiro. E se não há dinheiro, não há vícios e só há duas opções:

Aumentar os impostos;

Baixar drasticamente os salários, as reformas, os custos com Educação, Saúde, Segurança Social… Preferencialmente – e pretextando uma excelente crise – implementar as duas opções.

Só falta vender a tostão todo o património nacional e abandonar o governo com o sentido da missão cumprida.

Claro que este cenário é de pura ficção científica.