Fernando Ruas do 80 ao 8

Será ainda muito cedo para se perceber a global latitude da herança deixada a Fernando Ruas. Duro será equilibrá-la e assumi-la, ou não, com boas contas. E Ruas é um homem de boas contas. Essa herança que a maioria PSD da Assembleia Municipal capitaneada por Mota Faria subscreveu e aprovou na íntegra, sem nunca nos termos apercebido de que quaisquer dúvidas, ele e seus pares, tivessem para o fazer.

  • 20:26 | Segunda-feira, 15 de Novembro de 2021
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Enquanto Fernando Ruas reaprende os cantos da casa que foi “sua” durante 24 anos e aproveita para auscultar o estado financeiro da autarquia, uma certeza já se tem: redução geral e drástica de despesas.

De facto, o perdularismo de quase uma década terá deixado as suas profundas marcas na contabilidade da casa. Os milhões de empréstimos pedidos, a serem pagos a longo prazo, serão outra espinha cravada no deve e haver. Mas o mais gravoso para o autarca recém-empossado será mesmo a gestão firmada dos compromissos assumidos. E eles são muitos, desde o estacionamento pago vendido a concessionária espanhola por dezenas de anos, que nós todos, os munícipes, iremos pagar caro, até aos silos auto a construir por aí, ao controverso mercado 2 de Maio, finando-se em mais uma mão cheia de projectos mais ou menos faraónicos, inconclusivos e não concluídos, mas com custos a amortizar.

Será ainda muito cedo para se perceber a global latitude da herança deixada a Fernando Ruas. Duro será equilibrá-la e assumi-la, ou não, com boas contas. E Ruas é um homem de boas contas. Essa herança que a maioria PSD da Assembleia Municipal capitaneada por Mota Faria subscreveu e aprovou na íntegra, sem nunca nos termos apercebido de que quaisquer dúvidas, ele e seus pares, tivessem para o fazer.

Por isso quando um jornal local escreve em parangonas na 1ª página “Viseu vai ter Natal digno, mas poupadinho”, talvez estejamos mesmo a entrar na fase do apertar dos cordões à bolsa, mesmo que neste caso e nesta paradigmática quadra, os viseenses estranhem, de mal-habituados que estavam, os comerciantes discordem, os empresários critiquem.


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