Em Viseu, eu sou o Estado, poderia afirmar Almeida Henriques…

por Paulo Neto | 2016.09.10 - 11:03

 

 

Sabemos pelo aforismo popular muito assisado que o Fado “induca” e o Vinho instrói. Talvez por isso, o autarca Almeida Henriques, atentíssimo, tenha investido muito na música e mais na pinga.

Mas sabemo-lo ademais um inquestionável apoiante atentissimamente solidário de todas as questões sociais emergentes no seu território administrativo.

Talvez por isso, numa mega-operação mediática (e ele sabe fazê-las de outro modo?), declare que a “Câmara substitui Estado”, garantindo apoio aos alunos da Escola Jean Piaget.

Que jamais lhe doam as mãos de dar nem deixe de pulsar o coração magnânimo, propiciador da beneficência tão de seu apanágio e culto. E que nunca a memória se lhe obnubile para se lembrar que foi o governo de Passos Coelho, de que fez temporariamente parte, que mais escolas fechou em Portugal.

Claro está que agora, abrindo este irrefragável precedente, estará também disponível para apoiar os alunos dos (outros) colégios particulares existentes no concelho, substituindo-se ao Estado e mostrando a vileza daquele perante a sua “bondade”. De outro modo, alguma mente mais “atrofiada” o poderia apodar de parcialidade. Credo!

É consabido que os alunos dos Colégios Particulares estatalmente comparticipados, são pagos pelos contribuintes portugueses.

Aqui, ao invés, serão pagos pelos impostos dos viseenses. E muito bem! Para que hão-de eles pagar impostos chorudos, senão para obviar às invocadas situações de injustiça social?

Almeida Henriques é um fiel apóstolo da governação de Passos Coelho, que foi um mãos-rotas nesta matéria, fechando a escola pública e financiando a privada. Por isso, mais se lhe gaba a coerência contra um Governo que não tem a sua “gente” e tão-somente em favor dos carenciados munícipes da sua área.

Se até aqui o Estado despendia mais ou menos 60 mil euros por turma, quanto vai gastar Almeida Henriques, quantas turmas vai apoiar e qual será o saldo final nas contas públicas? Uma ninharia para o benévolo alcance da medida…

Talvez apesar de tanta charanga e “caroço”, se fique pela “alimentação e livros escolares” e apenas a duas turmas, uma do 5º e outra do 7º ano, perfazendo para aí 46 alunos…

Contudo Almeida Henriques vai mais longe e afirma que se aquela Escola encerrar ele “vai construir um centro escolar“, logo rematando para habilmente chegar ao núcleo da questão: “Como com certeza não o vou construir, provavelmente ainda vou comprar aquela escola.”

Quem assim fala não tem traves na língua nem cotão no alforge. É tudo uma questão de começar e não tarda, temos a autarquia sócia das restantes escolas locais, universidade Católica incluída… o que será, certamente, um excelente negócio para todos os 100 mil munícipes do concelho.

Evidentemente que nada disto tem a ver com a contagem decrescente para as eleições autárquicas. Tão pouco com o “amaciar do pêlo” à ainda omnipotente Igreja, que nestas matérias de votos é secularmente muito “sabedora”. Evidentemente que não!

Almeida Henriques vai gastar dinheiro com crianças desfavorecidas e isso é o cerne da questão. Como tem feito, aliás, com demais instituições, sejam de cariz social, privadas, semi-privadas ou outras.

E, em boa verdade, é dinheiro mais bem gasto do que em pirotecnias de efémera duração, festarolices de duvidoso gosto e arraiais em honra de Baco, de improfícuo interesse comunitário e nulas para a colectividade, em geral.

Alguém duvida?