Editorial | 2013.11.30 – Um polvo?

por Paulo Neto | 2013.11.30 - 13:17

Frequentemente, a falta de transparência dos actos, nomeadamente de quem está à frente da “coisa pública”, permite conjecturar todos os cenários possíveis e iladir todas as eventuais equivocidades.

A Lusitânia, ADR é um desses casos. Nunca se esclareceu com clareza e dissipando todas as dúvidas qual o destino concreto dado a 25 milhões de euros oriundos de autarquias e fundos comunitários. A ideia, aceita-se até que errada e passada para o exterior, foi a de um polvo tentacularmente imenso, a esbanjar dinheiros públicos, também de todos os contribuintes. Em prol de quê? O que foi feito de concreto? Como se gastaram esses dinheiros? Com que critérios? Em que financiamentos? Com que transparência? Quem mandava? Quem executava?…

Entretanto extinta, a Lusitânia deixou uma nuvem de fumo a pairar sobre quantos estiveram, de alguma forma ligados a este abafado escândalo.

E dizer enfaticamente que os roc’s “nada tiveram a apontar sobre os documentos que analisaram”, em termos de conclusão, permite-nos perguntar: E sobre os documentos que não analisaram?

Porque não se tornam públicas as actas das reuniões e os relatórios de gestão e contas anuais deste organismo?

A Justiça portuguesa é persistente e acreditamos, que mais tarde ou mais cedo, a verdade virá ao de cima.

E já agora, um gestor de topo da Lusitânia, oriundo de uma universidade privada, está onde? Desapareceu da circulação? Onde estão os activos da instituição? E os passivos foram assumidos por quem?

Este assunto, para bem de todos quantos nele estiveram envolvidos e nenhumas culpas terão, ficando, como diz o povo, com a fama mas sem o proveito, carece de ser dilucidado, esclarecido e publicamente exposto até ao derradeiro pormenor.

É o que tentaremos fazer em breve.