“Dumping social” o tanas!

por Paulo Neto | 2013.12.10 - 11:29

 

1. A comissão e o parlamento europeus subvencionaram uma enorme quantidade de médias. Alegaram o objectivo de favorecer e alargar um debate público europeu. Mas há quem diga que o único intuito foi o de os controlar materialmente. Qual será a verdade cínica e a caução nobre?   Em Viseu seguir-se-á esta prática da UE?

 2. Hoje, emergem do léxico global e sectorial novas expressões com muito significado escondido, pois recobertas do verniz ou cosmético das linguagens técnicas. Alguns exemplos: “dumping social”; “trabalhadores low cost”; “responsabilidade solidária”; etc. Entretanto, na Europa, aumenta a precaridade, a exclusão dos jovens do mercado de trabalho e dos mais pobres da dignidade social.

Dump, entre outros, tem o significado de despejar ou esvaziar. A palavra é utilizada para designar a prática de colocar no mercado produtos abaixo do custo para eliminar a concorrência e aumentar as quotas de mercado.

O dumping é usual em empresas que visam conquistar novos mercados internacionais, vendendo os seus produtos no exterior a um preço extremamente baixo, muitas vezes, inferior ao custo de produção, praticando depois um preço mais alto, compensatório da perda inicial.

Dumping social é um estratagema empresarial que visa um aumentos dos lucros, deslocando-se de um país para outro onde os salários são mais baixos e os direitos dos trabalhadores mais precários.

3. Nestes últimos dias, tendo de um lado os liberais britânicos com os países de Leste e do outro os “apologistas da regulação”: França, Alemanha, Espanha, Itália, Bélgica (cadê Portugal?), o dumping social foi debatido na UE. À última da hora a Polónia juntou-se aos “reguladores” na senda da “responsabilidade solidária”e chegou-se a acordo (?) para evitar esta deslocalização de mão-de-obra “low cost“. Ou seja, os 28 ministros do trabalho entenderam-se, diz-se.

Nota: Uma directiva de 1996 entrada em vigor em 1999 autorizava destacar assalariados para outros países europeus, aplicando salários e condições laborais vigorantes nos países receptores. Tal decorreu da chegada em massa de trabalhadores portugueses, gregos e espanhóis aos países da Europa do Norte. Depois do alargamento ao Leste, nos anos 2000, aumentou este êxodo. Gerou mais riqueza mas também mais conflitualidade social. E medo.

4. Face a este esquisso primário (passe a tautologia), fácil será percebermos as políticas de austeridade. Ou estarei redondamente enganado e elas são a salvação do país?