De golpada em golpada

por Paulo Neto | 2015.08.25 - 19:35

 

 

 

Tudo serve à vilanagem…

Desta feita, a 40 dias de eleições, perdido todo o bom senso e conspurcada a legitimidade do agir, o governo em gestão corrente, com o parlamento fiscalizador encerrado, sem ponta de pejo nem vergonha, faz num dia o que não conseguiu fazer durante um ano: a privatização do STCP e Metro do Porto…

E sem concurso público — o prévio ficou deserto — apenas recorrendo à figura do ajuste directo.

Cada vez mais a parecer-se com um empreiteiro trapalhão a querer fechar o livro de obra para entregar a empreitada ao patrão…

Se tivéssemos um presidente da República “atento” (nem sei que eufemismo usar) o processo seria por ele entravado. Porém, do professor Cavaco já nada de positivo há a esperar.

O compadre Zacarias, com a sua visão muito pessimista do mundo e mais ainda de certos “humanóides”, afirmou: “cheira-me a financiamento de última hora para a campanha eleitoral!“. E por mais argumentos que eu usasse para o demover desta ideia peregrina, permaneceu nela embalado…

 

Interessante, permita-se-me assim o considerar, é o feerismo desta rapaziada no agir, movidos por uma inabalável certeza da derrota que vão sofrer a 4 de Outubro.

É que a não ser assim, como justificar esta hiper azáfama na venda em outlet do que resta do país, dos últimos anéis de um Estado, na insaciável “vampirice” de quem tem como mero objectivo o de cumprir o caderno de encargos que os patrões lhes meteram nas mãos a troco da sua eleição.

E quanto à democracia dos votos, com tanta manipulação em catadupa ou rajada accionada por opinion makers e patrões da CS, assegurada pela transformação da mais cínica e vil mentira em verdades melosas… estamos falados.

 

Para acabar, deixar um lembrete do Fundo Monetário Internacional referido no livro infra citado: “a debilidade do mercado de trabalho português em 2014 atingia 20,5% da população activa (adicionando aos 13,9% contabilizados nas estatísticas oficiais do desemprego as pessoas que desistiram de procurar emprego — deixando por isso de contar para as estatísticas — e as situações de subemprego). Ao todo, estamos a falar de um milhão e duzentas mil pessoas que não conseguem encontrar emprego em condições, às quais poderíamos acrescentar mais de 140 mil indivíduos que se encontram temporariamente ocupados em programas de emprego do IEFP (Observatório sobre Crises e Alternativas, 2015).“, in “O que fazer com este país“, de RP Mamede, edi. Marcador, 2015.

 

Bela obra, a desta cambada.

Que resposta lhes dar a 4 de Outubro?

Ainda tem dúvidas?