Almeida Henriques – “Mudar o Mundo”no CM. E porque não começar por Viseu?

por Paulo Neto | 2019.04.23 - 12:48

Até podia começar por tentar Mudar Viseu, como aliás foi sua proclamada promessa eleitoral – e em boa verdade nunca ninguém instituiu tanta cultura da “farra” como ele – mas o edil-mor do burgo quer mudar o mundo. Aplaudimos mais esta ideia peregrina prescientes da megalomania de que faz apanágio e cientes de que, quem não muda o Concelho de Viseu, decerto será pela sua ausência de dimensão face às universais ideias para as quais esta magna mente estará talhada.

Se cada cabeça tem a sua dimensão, os neurónios diferem muito de cidadão para cidadão e, decerto os de Almeida Henriques irradiados pela sua “câmara-de-eco-Sobrado”, não estão talhados para os mini 507,10 kms2 do nosso Concelho, carecendo de um público adequadamente grandioso às suas ideias, que não o dos 99.274 habitantes deste território.

O seu a seu dono. Assim pensou Genghis Khan, Júlio César, Napoleão Bonaparte (ficamos por aqui, porque entrar no século XX podia ser complicado…).

Almeida Henriques quer uma “cidadania democrática global que force mudanças, denuncie os populismos…” Até nós queríamos… e mais uns milhões de cidadãos mundo fora. Após esta sucessão de clichés – o homem tem o direito à sua (des)inspiração, parte para outra “estação”.

Logo de seguida e após estas saídas “Al Gore Style” de bolso, que se encontram em qualquer flyer de estação de metro, parte para a sua cruzada ecologista envergando a bandeira apocalíptica do “fim da vida humana na Terra”.

Recentrar-se em Viseu é que não consegue. É natural, um homem de vistas largas, no infinito horizonte, não adrega a limitar-se por Silgueiros e Cota, Boa Aldeia e Povolide. Até podia começar pelos fitofármacos que usa por todo o concelho, do tipo glifosato, esse herbicida tóxico. Ou limpar o Pavia. Ou ter a Aguieira um “brinquinho”. Mas não. Ele sonha com a Amazónia

E encerra o arrazoado com o 25 de Abril, clamando pela necessidade de terminar com “rituais protocolares estéreis” pondo “o dedo nas feridas do regime”.

Há que acabar com “os populismos larvares, a demagogia anti-democrática, a justiça justiceira refém do (i)mediatismo, o descrédito das instituições.”, vocifera o autarca visionário. E desta alucinante diatribe, neste ritual psicanalítico, é-nos sempre lícito conjecturar que Almeida Henriques fala de si e dos seus mais subterrâneos anseios, ciente do seu populismo activo, da sua demagogia retórica, do seu ávido mediatismo e do descrédito crescente da instituição onde pontifica há mais de meia dúzia de anos. PARA A MUDANÇA!