Água de malvas ou inquinada?

O edil de Penalva, Francisco Carvalho (PS), não se recandidatará ao lugar que ocupa pela Lei de Limitação de Mandatos, havendo quem já vaticine que o próximo presidente da autarquia será o ex-autarca Leonídio Monteiro, do PSD. Quanto ao de Mangualde, Marco Almeida (PS) com menos de um ano de exercício de funções, mas já com o desgaste político inevitável, poderemos estar perante um presidente de mandato único.

  • 16:15 | Terça-feira, 12 de Julho de 2022
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Fernando Ruas porfia na sua cruzada de “vender” as Águas de Viseu aos privados. Privados das Águas do Douro e Paiva.

Quem é, esta empresa? Segundo o próprio site “A Águas do Douro e Paiva, S.A. é uma sociedade anónima de capitais exclusivamente públicos, criada pelo Decreto-Lei 16/2017, de 01 de fevereiro, responsável pela construção, gestão e concessão do sistema multimunicipal de abastecimento do sul do Grande Porto, em regime de exclusivo e por um prazo de 20 anos.”

No seu Conselho de Administração temos um nome conhecido. O de António Manuel Leitão Borges, ex-presidente da câmara de Resende, ex-deputado do PS pelo círculo eleitoral de Viseu, ex-presidente da Federação do PS Viseu, que passou a pasta a José Rui Cruz.


Logo, um homem do território, administrador executivo das Águas do Douro e Paiva e correligionário dos presidentes das autarquias de Penalva do Castelo e de Mangualde.

O edil de Penalva, Francisco Carvalho (PS), não se recandidatará ao lugar que ocupa pela Lei de Limitação de Mandatos, havendo quem já vaticine que o próximo presidente da autarquia será o ex-autarca Leonídio Monteiro, do PSD. Quanto ao de Mangualde, Marco Almeida (PS) com menos de um ano de exercício de funções, mas já com o desgaste político inevitável, poderemos estar perante um presidente de mandato único.

Em boa verdade, ser presidente de uma autarquia depois de João Azevedo, há-de ser exercício de difícil superação…

Estes dois autarcas, até aqui vozes dissidentes da proposta de Fernando Ruas, ter-se-ão rendido ao charme beirão deste “corifeu”? Ao encanto duriense de Borges? Ou mantêm-se inamovíveiss na opção de Fagilde?

Os munícipes cá estarão para agradecer nas urnas a decisão de aceitarem entregar as águas dos seus municípios à exploração de privados, se for essa a decisão final, com o eventual e previsível aumento de custos que tal, em geral acarreta.

Faz-me lembrar a carta enviada à família em finais do século XIX por um aguadeiro galego a vender a linfa vital pelas ruas da cidade: “Os lisboetas são mesmo boas pessoas. Até me compram a água que é deles…”

(Foto DR)

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