Afeganistão, USA e SNS…

E já agora, com tanta e tão alegada falta de médicos no terreno, porque estão tantos em lugares de nomeação política, nas ARS, ACES, ministério da tutela e etc., a fazerem de gestores da Saúde nacional, cargos para os quais não têm nem formação nem competência, deixando de lado os cargos para os quais têm formação e suposta competência?

  • 14:10 | Sábado, 25 de Junho de 2022
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O abalo de terra no Afeganistão que tantas vítimas provocou num país onde a destruição, a violência e o retrocesso civilizacional são trágicas constantes, levou os novos senhores do poder, após terem expulsado com desdém as ONG’s activas no país, a rogarem pelo seu regresso, cientes de que, afinal, a grande maioria delas é muito útil em tempos de catástrofe.

Uma espécie de pisca-pisca, intermitente, vai-te-embora / volta-para-cá.

Sinais dos tempos e da incoerência dos mandantes.


 

Nos EUA, país assimétrico onde coabitam autênticos selvagens com gente da mais interessante e evoluída do planeta, continua-se a viver as consequências da presidência Trump e a provar que o mundo, por vezes, elege monstros – como o seu amigo russo – que, ao deterem o poder causam danos irreversíveis e inquantificáveis ao povo que os elegeu e ao mundo, em geral.

Trump e Putin deixarão ao mundo, a perdurar por décadas,  o seu legado de violência, de ódio, de xenofobia, de genocídio, de miséria de milhões para o obsceno enriquecimento da mão cheia de cúmplices oligarcas e cleptocratas.

A decisão do Supremo Tribunal de Justiça, um dos três pilares da governança norte-americana, ao proibir o direito constitucionalmente concedido ao aborto, por poderosa intervenção dos três juízes hiper conservadores nomeados por Trump, autênticos santo-inquisidores do século XII, mostram um país que aprova o uso das armas para matar a eito e proíbe o direito da Mulher, dentro de um quadro médico e legal bem definido a abortar, recuando décadas nos direitos que garantiu. Trump, com Deus na amoral boca, comentou: “É a vontade de Deus!”, informação que decerto pelo Altíssimo lhe terá sido directamente comunicada, a ele que é um dos “grunhos” made in USA mais maléficos e malévolos da História daquele país.

Sinais dos tempos e da incoerência dos mandantes.

 

O quadro que infra se anexa prova que temos em Portugal, no SNS, mais obstetras do que a França, o Reino Unido e a Espanha, respectivamente, com 67,39, 67,22 e 47,35 milhões de habitantes (dados de 2020). Números um pouco distantes dos 10,31 milhões de portugueses.

Provavelmente, aceitando que há faltas de médicos e que os numerus clausus de acesso à carreira são geridos por corporativismos duvidosos, o problema residirá, também, na falta de programação dos serviços e na duvidosa actuação da Ordem do sector e das administrações hospitalares.

A profilaxia do problema parece estar a anos-luz de quem tem capacidade decisória…

E já agora, com tanta e tão alegada falta de médicos no terreno, porque estão tantos em lugares de nomeação política, nas ARS, ACES, ministério da tutela e etc., a fazerem de gestores da Saúde nacional, cargos para os quais não têm nem formação nem competência, deixando de lado os cargos para os quais têm formação e suposta competência?

Sinais dos tempos e da incoerência dos mandantes.

 

(Fotos DR)

 

 

 

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