A Síndrome do Porteiro ou a “casca-grossice” de quem nunca bebeu chá

por Paulo Neto | 2017.01.09 - 09:58

 

 

A deputada municipal, Filomena Pires, na voz e cunho intrépido a que nos habituou, escreve hoje na sua crónica do RD que “Ignorante, preguiçoso, deprimente ou incompetente, são os adjetivos mais suaves que o Sr. Presidente não se inibe de proferir quando a argumentação política lhe é desfavorável. Há momentos em que raia o insulto com tonalidade machista imprópria e ofensiva.”

O seu claro e inequívoco texto põe a nu uma cada vez mais incontornável realidade, emergente na atitude e postura de alguns autarcas: a falta de civilidade, civismo, espírito democrático, educação…

Talvez o exercício da praxis político-partidária lhes conceda essa autocrática arrogância, sendo algumas as câmaras do distrito onde a grosseria raia a mais elementar falta de educação e de princípios básicos de cidadania.

De f…. da p… para cima e para baixo, já nos chegaram ecos de quem assim, em linguagem de ralé e estivador (sem ofensa da digna classe), trate vereadores/deputados da oposição. Ainda há dias nos chegou às mãos um vídeo de uma sessão camarária de uma autarquia a poucas dezenas de quilómetros de Viseu, onde e de boca dos eleitos, proliferavam os “vigaristas”, “desonestos”, “analfabetos”… Eles lá saberão.

A preciosa Wikipédia dá um nome a esta patologia “A Síndrome do pequeno poder, ou Síndrome do porteiro que e segundo a psicologia, é uma atitude de autoritarismo por parte do indivíduo que, ao receber um poder, usa de forma absoluta e imperativa sem se preocupar com os problemas periféricos que possa vir a ocasionar (…) surge quando aquelas pessoas que não se contentam com sua pequena parcela de poder exorbitam de sua autoridade.” E acrescenta: “Se quiser saber como uma pessoa é, coloque-a numa posição de poder.”

Bom… provavelmente um dia destes, poderá acontecer que um “opositor” não se conforme com os epítetos de um “incontinente” autarca e “em defesa de sua honra” resolva o problema como o Ramalho, o Camilo ou até o nosso Aquilino: à bengalada ou à chapada.

Dizem os especialistas do método que três boas bordoadas num nédio lombo equivalem a mil bules de chá bebidos na infância. Porém, não há dados científicos fundamentadores desta tese.