A incompetente colocação de professores

Revoltam-se com razão os docentes por serem de Monção e terem sido colocados em Aljezur ou serem de Portimão e terem sido colocados em Bragança.

  • 13:55 | Domingo, 18 de Setembro de 2022
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Queixam-se os que sabem da matéria que num futuro próximo vão escassear os professores.

Talvez no porvir as crianças já nasçam com um chip de ensino, ou sejam ensinadas pelo Google ou pelo Yahoo… e os professores deixem de existir.

Alertam escolas e sindicatos que há ainda mais de 2.000 horários por preencher,


Revoltam-se com razão os docentes por serem de Monção e terem sido colocados em Aljezur ou serem de Portimão e terem sido colocados em Bragança.

A digna profissão de professor foi diabolizada, vilipendiada e desprezada por uma determinada ministra da Educação, de má memória, que agora, sempre de poleiro em poleiro, ainda ousa mandar “bitaites” a torto e a esmo sobre a questão.

Mal pagos, por colocar ou mal colocados, tornados uma espécie de burocratas ao serviço do “eduquês” procriado por iluminados da treta, os mais velhos reformam-se com penalização, os mais novos recusam investir numa carreira ingrata e sem reconhecimento público, social e oficial.

A progressão na carreira é uma visão perdida num futuro próximo da velhice. O salário é baixo. A colocação é uma incógnita. Os horários são uma desgraça. Os conselhos directivos nas mãos dos politizados conselhos gerais, perdem autonomia, muitas vezes para preservarem o lugar.

Mas o pior de tudo são os horários com os quais a tutela raramente acerta, enrodilhada num processo absurdamente centralista e centralizado de colocações.

E depois admiramo-nos de cada vez haver menos candidatos para a carreira docente. Ou daqueles que definitivamente e com alívio lhe viram costas, como aquele professor de educação física que há dias deu seu testemunho numa “grande reportagem”, cansado de correr “ceca e meca”, apostou em tirar a carta de maquinista de comboios, ganhando o dobro do ordenado que usufruía e tendo encontrado estabilidade profissional e familiar.

E o mais estranho disto é não aparecer um ministro da Educação capaz de reconhecer este problema, sem demagogias nem populismos e com coragem e empenhamento para proceder à dignificação da carreira, começando pela estabilidade profissional que decorre de uma colocação geograficamente lógica e atempada.

Sem falar no resto…

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