A corrupção veio para ficar, na saúde e na banca?

por Paulo Neto | 2016.12.22 - 10:12

 

 

 

Ao que se ouve, vê e lê a corrupção está por aí como um polvo gigantesco com tentáculos vários e longos que se estendem por todo o lado. A Justiça, com seus parcos meios e todos os obstáculos e entraves, não está de braços cruzados e vai fazendo o que pode. O que nos mantém a esperança.

Se afectos ao mais que todos louvável Serviço Nacional de Saúde começam a ser presos indivíduos corruptos que favoreciam empresas farmacêuticas com contratos de monopólio e de exclusividade, lesando o Estado e os utentes em milhares de milhões de euros, bem certo é saber-se que um dos principais implicados no vil negócio do plasma foi até agora “protegido” da ex-tutela que, segundo o bastonário da Ordem dos Médicos, há muito que não ignorava o que se estava a passar. O ex-ministro da tutela referido tem nome e é hoje o “ai-Jesus” da CGD.

A banca, em Portugal e por seu turno tem gerado os maiores crimes de “colarinho branco” de que há memória, lesando Portugal e os portugueses em milhares de milhões de euros.

Enquanto os administradores não forem severamente punidos, detidos e espoliados do património acumulado; enquanto continuarem a rir-se das “trampolineirices” que fizeram e das quais ficaram impunes, ou com pulseirinhas Cartier nos pulsinhos esbranquiçados, a banca, mesmo a séria, se provavelmente existe, é um cano de esgoto fétido a sujar quase tudo quanto alcança.

Mas para além dos administradores, hoje muito “chekados”, como dizia ontem um ex-ministro hoje na banca, há os quadros intermédios até ao nível dos directores regionais, cujos patrimónios deveriam ser todos passados a pente fino para descobrir eventuais enriquecimentos ilícitos por concessões de créditos sem contrapartidas seguras, talvez apenas na base da “simpatia”.

Eles andarão por aí, ostentarão um nível de vida incompatível com o salário usufruído e prejudicarão muito empresário sério, que luta afanosamente por manter os postos de trabalho nas suas empresas, mas que, para mal dos seus pecados, não pertence à “guest list”.

Há-os hoje que inclusivamente, numa acção cívica e de cidadania muito louvável, integram “administrações” de agências públicas de desenvolvimento regional, órgãos sociais de cooperativas, da Misericórdia et all. E tudo ao mesmo tempo, acedendo dessa forma magistral ao privilégio de serem ouvidos na gestão financeira e a bancos de dados interessantíssimos… E ninguém se apercebe disso?

Evidentemente que se subirmos a montante destes escândalos todos encontramos o Banco de Portugal que na sua miopia – como aliás a da grande maioria das entidades reguladoras nacionais, sinecuras doiradas de político-dependentes  – tem sido de uma complacência estranhíssima com muitos dos desaires. E depois? Vão para vice-presidentes do BCE ou mantêm-se serenamente ausentes nos lugares, pagos a preço de platina.

Entretanto, para descontrairmos, o risível da questão é da minha humilde conta no Montepio, de onde nunca recebi um extracto, de onde nem cheques uso, da qual nem quando lá tive uns milhares de euros recebi um cêntimo de juros, me tirarem mensalmente 5 euros e tal para despesas de manutenção. Qual manutenção?

Eventualmente para ajudarem a patrocinar o executivo camarário local nas festarolices de Natal, com um “conforto” de 100 mil euros para aquecer com as luzes do Presépio a alma dos viseenses. Pelos vistos eu pago algumas dessas luzes… A pergunta é esta: Quais as contrapartidas do Montepio para esses patrocínios milionários? Responda quem sabe.

E na CGD, porque se perseguem “pequenos” depositantes com vidas inteiras de fidelidade à banca pública e se cobrem com um manto pardo de ambiguidade grandes empresários do distrito? Boa pergunta… Localmente ninguém sabe responder?

Também desta instituição pública, corre para aí a anedota de café de que a nível nacional, 90% dos seus funcionários são gente seriíssima e competentíssima, 5% são “comissários” políticos e os restantes 5% são “ascensores horizontais” — os 10% que “lixam” tudo.

Não acreditamos, mas sorrimos… como compete quando se ouve uma anedota, no café.