A CGD um banco gigante ou um pigmeu enfraquecido?

por Paulo Neto | 2016.08.22 - 12:10

 

Um buraco de quantos milhares de milhões?

 

Cada dia que passa mais claros são os indicadores do duvidoso estado de saúde do banco público português, a CGD.

Poderoso e arrogante com os seus pequenos e médios depositantes/utentes/clientes, aparece de cócoras e com telhados de fino vidro perante as grandes empresas onde injectou milhares de milhões sem acautelar os riscos e garantir os retornos.

Estes actos configuram gestão danosa? Ou mera incompetência admitida/consentida pelas chefias?

Distrito a distrito quais são os grandes devedores? Quem são os responsáveis? Em Viseu e Tondela por exemplo?

E agora perante o grosso e grave do problema que tem a ver, fundamentalmente, com o período compreendido entre a meia década de 2005 a 2010 e que mostra um buraco de aproximadamente 5 mil milhões de euros e face a um relatório actual que apresenta mais de 2.300 milhões de euros em risco de serem perdidos, qual vai ser a actuação do Governo, do Banco de Portugal, da Justiça e da nova administração da CGD – que ainda não foi empossada?

Outra vergonha incompreensível, este governo não conseguir elencar um conselho de administração credível e passível de ser aceite e ratificado pelas entidades bancárias europeias supervisoras… Quem vier, de 2ª ou 3ª escolha, terá sempre inquinado o seu desempenho e a legitimidade da sua actuação num momento em que, mais do que nunca, a CGD precisa imperiosamente de uma administração acima de qualquer suspeita de compadrios políticos.

Outro problema se coloca: há quem hoje afirme poder vir a ser a CGD um banco de pequenos indigentes e de grandes insolventes. Será verdade? E se for? Estarão garantidos os depósitos de milhões de emigrantes por esse mundo fora? E dos pequenos depositantes/clientes de há décadas que sempre encararam com todo o respeito a CGD? Será que as administrações dos últimos anos merecem tal confiança? Qual o papel do regulador Banco de Portugal nos mandatos de Vítor Constâncio e Carlos Costa? Compactuaram e compactuarão com os eventuais despautérios cometidos?

Como é possível que as empresas infra referidas se tenham tornado possíveis “activos tóxicos” de todos os contribuintes portugueses? Quanto é que tal desastre financeiro vai custar a cada um de nós? Que impacto vai ter no défice das contas públicas? Que sanções daí advirão para toda a população em geral? Num total de 4 milhões de pequenos e médios clientes que mantém a “barca” a boiar, porquê pagarem tantos por 15 ou 20 macro insolventes “autorizados”? Por quem? Por quem? Por quem?

São inimputáveis ou in-descrutináveis os responsáveis pela calamidade? Eles não têm rosto nem nome? A quem, nos governos, interesse proteger e tornar imunes os responsáveis, de escolha e nomeação política, como muitos protegidos por essas direcções regionais fora, da meritocracia tão alheios?

Alguns dos devedores de milhões…

Artlant, Barcelona – 476 milhões

António Mosquito/Soares da Costa – 338 milhões

Efacec – 303 milhões

Vale de Lobo, Auto-Estradas Douro Litoral – 271 milhões

GES – 237 milhões

Grupo Lena – 225 milhões

(…)

Ao que nos foi dado perceber, a CGD em descontrolo e na incapacidade de actuar perante os grandes devedores, anda com entidades como, por exemplo, a sua “DAP – Direcção Acompanhamento Particulares” a escarafunchar arrogantemente nos pequenos e de há décadas fiéis clientes, a ver se há um plafond de 100, 200 ou 500 euros desajustado ou um cartão de crédito de 1.000 euros atribuído pela gerência com uma probabilidade de 0,001% de catastrófico risco… É inacreditável!

É esta a actual CGD, forte perante os fracos, fraca perante os “fortes”? Aquela que vai despedir milhares de inocentes funcionários vítimas das dolosas gestões, tem bichas enormes aos balcões onde penificam os “castigados” utentes, tem as máquinas multibanco com inaudita frequência “fora de serviço” por falta de manutenção, vai acabar com as cadernetas para poupar no papel, etc.

E o leitor que é há anos um fiel cliente da Instituição, ainda não foi vítima de nenhum acto lesivo da confiança nela depositada?