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Pensava que esgrimir argumentos deste tipo em tribunal não era possível, mas, aparentemente, é. Portanto, para a Fidelidade, um simples cidadão, tem de saber que um determinado meio de transporte “não é altamente confiável” e isso serve de óbice a receber uma determinada indemnização.

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  • 16:09 | Quinta-feira, 29 de Outubro de 2026
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Ontem, pela comunicação social, soube que a “seguradora da Carris”, aparentemente a Fidelidade, contestou o pedido de indemnização relativo à morte de um dos cidadãos que pereceram no acidente no Elevador da Glória.

Segundo a Agência Lusa “a seguradora contestou …, afirmando que este meio de transporte não era altamente confiável”.

Pensava que esgrimir argumentos deste tipo em tribunal não era possível, mas, aparentemente, é. Portanto, para a Fidelidade, um simples cidadão, tem de saber que um determinado meio de transporte “não é altamente confiável” e isso serve de óbice a receber uma determinada indemnização.


Será que seguindo a lógica da Fidelidade, podemos colocar uma questão muito simples? A Fidelidade, dotada de elevados conhecimentos técnicos em análise de riscos e confiança, que acha que um simples cidadão tem obrigação de saber que o Elevador “não é confiável”, aceitou fazer o seguro à Carris e ao Elevador da Glória porquê?

É que, em última instância, parece-me que uma companhia de seguros que usa este argumento para não pagar um determinado valor, invocando, para todos os efeitos, a existência de risco, não faz sentido existir. O Estado devia caçar-lhe a licença já que uma seguradora existe para cobrir riscos que os indivíduos identificam e que julgam exactamente que há uma probabilidade de acontecerem. Caso assim não fosse para quê pagar?

 

Alexandre Borges

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Publicado em Opinião