“O povo é uma puta e vai com o homem que vence.”
B. Mussolini, Roma, Abril de 1940.
“Quando um homem se desmorona com o seu sistema, a queda é definitiva.”
B. Mussolini, Verão de 1943.
Antonio Scurati, napolitano nascido em 1969, é um talentoso escritor a quem, entre outros, foi atribuído o prestigiado Prémio Strega, em 2019.
Entre outras obras, dedicou-se à escrita minuciosa da vida de Benito Mussolini e, em quatro volumes com mais de 2700 páginas, traçou a ascensão e queda do pai do fascismo.
O 1º volume desta quadrilogia intitula-se “Mussolini O Filho do Século”, º e inicia-se em 1919, o 2º tem como título “Mussolini O Homem da Providência” e começa em 1925, o 3º, “Mussolini Os Últimos Dais da Europa”, começa em 1938 e o 4º e final, “A Hora do Destino”, abre-se em 1940 e termina em Julho de 1943, com a detenção do ditador.
Estes quatro volumes, focados na pessoa de Benito Mussolini e da sua entourage, dão-nos uma visão mais ampla deste 44 anos da Europa e da História da 2ª Guerra Mundial e centram-se em todos os contornos da vida deste político, que veio do socialismo italiano pós Iª Grande Guerra até ao fascismo, do qual foi mentor.
Benito Mussolini foi morto em 28 de abril de 1945, em Giulino di Mezzegra, junto ao Lago de Como, depois de ter sido capturado por guerrilheiros da resistência antifascista italiana, no decurso da sua tentativa de fuga para a Suíça com a amante Clara Petacci, filha da média burguesia romana, crescida no culto do Duce.
Ambos foram sumariamente fuzilados e no dia seguinte, 29 de Abril de 1945, os seus corpos foram levados para Milão e publicamente expostos pendurados de cabeça para baixo, num posto de gasolina, na Piazzale Loreto.
Na Alemanha, no dia seguinte, no bunker do Führer, em Berlim, Adolfo Hitler suicida-se com ingestão de cianureto seguido de tiro de pistola Walther 7.65.
A sua companheira Eva Braun também se suicida com o mesmo veneno. Os seus corpos foram regados com gasolina e queimados, no jardim.
No Japão, o primeiro-ministro Hideki Tojo foi condenado por crimes de guerra e enforcado em 23 de Dezembro de 1948.
Este período classificado como o mais conturbado da História da Humanidade, no bárbaro radicalismo dos seus principais protagonistas, fez entre 70 a 85 milhões de vítimas mortais e arrasou países como a Alemanha, a Itália, o Japão, a Inglaterra e a França. E porém, curta é a memória dos homens que, pouco mais de meio século decorrido, trazem de novo à tona análogos ideais, semelhantes radicalismos, similares comportamentos e afins fundamentalismos.
Chamam a este movimento a Nova Ordem Mundial, que de novidade nada tem, sendo um mero “remake” do passado, que na desordem e no caos se seiva e do ódio e da violência se sustenta e mantém.