Dei uma vista de olhos entediada pelas parangonas de alguns dos nossos jornais diários e pela capa de uma revista.
Com a devida vénia aqui deixo estas considerações.
No DN, “le gros titre”, ou paragona é “Fármaco para emagrecer supera um milhão de euros em venda num só dia”

Ora, num país onde a taxa de pobreza tem vindo a aumentar exponencialmente, onde os cidadãos, nas grandes superfícies e nos mercados, se queixam amargamente da gradual impossibilidade de comprar determinados produtos de primeira necessidade, esta constatação quase nos parece uma incongruência.
A paragona do JN refere: “Banca e energia lucram milhões mas indústrias exportadoras estão a cair a pique”

Claro está que não há coragem política para taxar os lucros excedentários destes sectores em mais de 50%… o governo já fez qualquer coisinha para… dizer que está atento e já taxou. Uma pouca-vergonha!
O preocupante é, em contrapartida, enquanto uns se cevam pantagruelicamente, outras vão definhando. Nomeadamente as indústrias exportadoras, essenciais para a economia lusitana…
O Correio da Manhã escreve: “Justiça caça computador de diretor da PJ”. Claro, assim mesmo, puro e duro, a doer e a sangrar…

Na frase, de sensacional só está o predicado… o verbo “caçar”. Poderiam ter escrito com toda a pertinência semântica que a justiça apreendeu o computador, mas não teria graça nenhum. Mas caçar, essa actividade tão velha como o homem, tem outro sainete, dá à justiça o estatuto de predador e ao director da PJ o de presa. Faca na liga, sempre!
Por seu turno, a capa da revista Visão, com imaginação, numa só imagem, que vale mil palavras, diz tudo. O ministro da Educação na corda bamba, coberto pelos “consultores” das milagreiras (?) empresas de “outsourcing” que lhe dão tantas despesas como dores de cabeça e o precário equilíbrio para se ir aguentando, de polémica em controvérsia.

Curiosamente, ou não, o visado não se indignou para lá da assuada e algazarra costumeira dos seus pares. Nada que se estranhe. Tudo normal no coliseu da AR.