Parangonas e capa

Na frase, de sensacional só está o predicado… o verbo “caçar”. Poderiam ter escrito com toda a pertinência semântica que a justiça apreendeu o computador, mas não teria graça nenhum. Mas caçar, essa actividade tão velha como o homem, tem outro sainete, dá à justiça o estatuto de predador e ao director da PJ o de presa. Faca na liga, sempre!

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  • 19:47 | Quinta-feira, 24 de Setembro de 2026
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Dei uma vista de olhos entediada pelas parangonas de alguns dos nossos jornais diários e pela capa de uma revista.

Com a devida vénia aqui deixo estas considerações.

No DN, “le gros titre”, ou paragona é “Fármaco para emagrecer supera um milhão de euros em venda num só dia”


 

Ora, num país onde a taxa de pobreza tem vindo a aumentar exponencialmente, onde os cidadãos, nas grandes superfícies e nos mercados, se queixam amargamente da gradual impossibilidade de comprar determinados produtos de primeira necessidade, esta constatação quase nos parece uma incongruência.

Afinal, os gordos são 10% da população, aquela população que come alarvemente, que não faz exercício físico, que não se priva dos maiores despautérios alimentares e, cereja em cima do bolo, ainda tem dinheiro cabonde para o gastar em fármacos para o adelgaçamento da silhueta.

A paragona do JN refere: “Banca e energia lucram milhões mas indústrias exportadoras estão a cair a pique”

 

Nada que não soubéssemos no tocante aos obscenos lucros da banca (2 mil milhões!!!), da petrolíferas, das grandes superfícies, sectores onde tudo serve de pretexto para asfixiar ainda mais os portugueses até os levar ao sopro final.

Claro está que não há coragem política para taxar os lucros excedentários destes sectores em mais de 50%… o governo já fez qualquer coisinha para… dizer que está atento e já taxou. Uma pouca-vergonha!

O preocupante é, em contrapartida, enquanto uns se cevam pantagruelicamente, outras vão definhando. Nomeadamente as indústrias exportadoras, essenciais para a economia lusitana…

O Correio da Manhã escreve: “Justiça caça computador de diretor da PJ”. Claro, assim mesmo, puro e duro, a doer e a sangrar…

 

 

Na frase, de sensacional só está o predicado… o verbo “caçar”. Poderiam ter escrito com toda a pertinência semântica que a justiça apreendeu o computador, mas não teria graça nenhum. Mas caçar, essa actividade tão velha como o homem, tem outro sainete, dá à justiça o estatuto de predador e ao director da PJ o de presa. Faca na liga, sempre!

Por seu turno, a capa da revista Visão, com imaginação, numa só imagem, que vale mil palavras, diz tudo. O ministro da Educação na corda bamba, coberto pelos “consultores” das milagreiras (?)  empresas de “outsourcing” que lhe dão tantas despesas como dores de cabeça e o precário equilíbrio para se ir aguentando, de polémica em controvérsia.

 

A “boca” do dia foi mandada no Parlamento por Hugo Soares a André Ventura a quem chamou de “aldrabão” com repetição enfática do invocado estatuto.

Curiosamente, ou não, o visado não se indignou para lá da assuada e algazarra costumeira dos seus pares. Nada que se estranhe. Tudo normal no coliseu da AR.

 

 

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