Andam as vizinhas zangadas e ácidas, não por intrigas nem por mal-entendidos. Por tudo e por nada engalfinham-se. Amaneirados a cavalheiros, desancam-se mutuamente. Embora cognatas, andam sempre às turras um com o outro, parece ciumeira de varinas trigueiras, com canastras à cintura e chinela no pé. Eu, que não sou de arcas encoiradas, boto-me a pensar que a desavença nasça do trauma do protagonismo, da vontade de querer continuar a influenciar, daquele tonto fingir que se manda e se decide.
A descida íngreme do palco e o ofuscamento súbito são tramados, difíceis de digerir, maus de mais para estômagos sossegados, daqueles que até uma canja de galinha cai mal e faz enjôos de grávida. Há pessoas que deglutem mal a saída de cena, ficam inconvenientes e ressabiados. Uns remetem-se à nova condição de cidadãos inscritos no Registo Civil – o único reconhecimento -, outros procuram novas vidas em que as luzes não se apaguem, e os últimos esperneiam e espadeiram num esforço titânico que chega a fazer prantear corações empedernidos. Como de pedra.
Estes últimos persistem em transformar em momento o que não passa de banal. Por erro de cálculo, sede de poder ou desvio de personalidade, quando o mando lhes foge das mãos, como areia por entre os dedos, ficam intratáveis, insuportáveis, e desatam a zurzir no que acham menos bem. E não desandam.
Exemplo acabado é Passos Coelho. O homem azafama, não descansa, desata num tiroteio infernal, sempre ansioso em desequilibrar.
Há um detalhe na política: quem lidera tem de transmitir confiança, energia, movimento. Nada disso o Pedro reúne.