As vizinhas

Exemplo acabado é Passos Coelho. O homem azafama, não descansa, desata num tiroteio infernal, sempre ansioso em desequilibrar.

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  • 12:36 | Segunda-feira, 21 de Setembro de 2026
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Andam as vizinhas zangadas e ácidas, não por intrigas nem por mal-entendidos. Por tudo e por nada engalfinham-se. Amaneirados a cavalheiros, desancam-se mutuamente. Embora cognatas, andam sempre às turras um com o outro, parece ciumeira de varinas trigueiras, com canastras à cintura e chinela no pé. Eu, que não sou de arcas encoiradas, boto-me a pensar que a desavença nasça do trauma do protagonismo, da vontade de querer continuar a influenciar, daquele tonto fingir que se manda e se decide.

A descida íngreme do palco e o ofuscamento súbito são tramados, difíceis de digerir, maus de mais para estômagos sossegados, daqueles que até uma canja de galinha cai mal e faz enjôos de grávida. Há pessoas que deglutem mal a saída de cena, ficam inconvenientes e ressabiados. Uns remetem-se à nova condição de cidadãos inscritos no Registo Civil – o único reconhecimento -, outros procuram novas vidas em que as luzes não se apaguem, e os últimos esperneiam e espadeiram num esforço titânico que chega a fazer prantear corações empedernidos. Como de pedra.

Estes últimos persistem em transformar em momento o que não passa de banal. Por erro de cálculo, sede de poder ou desvio de personalidade, quando o mando lhes foge das mãos, como areia por entre os dedos, ficam intratáveis, insuportáveis, e desatam a zurzir no que acham menos bem. E não desandam.


Exemplo acabado é Passos Coelho. O homem azafama, não descansa, desata num tiroteio infernal, sempre ansioso em desequilibrar.

O que o governo faz sabe-lhe mal, comentando com acrimónia, dono de certezas, e sempre zangado com o mundo. Com uma refinada hipocrisia política zurze em Montenegro, que antes o acolheu no seu regaço de austeridade, o fez destacado líder parlamentar, e com ele contou para defender com ganas galegas o lema “ir para além da troika”. Dá lições, ensina, encaminha, orienta, tem solução para tudo. E tem também alguma falta de memória. A comunicação social que lhe dá eco faz o resto. Ávida de bulhas e de conflitos entre membros da mesma família, estende-lhe a passadeira que ele pisa com ares de místico incompreendido, profeta da pobreza, padroeiro, ainda assim, com os seus fiéis. Mesmo com o passar do tempo, que o devia ter esclarecido, não perdeu a sombra escura, trágica, desesperançada que sempre o acompanhou. Com padecentes sintomas egóicos.

Há um detalhe na política: quem lidera tem de transmitir confiança, energia, movimento. Nada disso o Pedro reúne.

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