A convocatória, aberta até 15 de outubro, dirige-se a pequenas e médias fundações privadas e independentes, com fins sociais ou culturais, que desenvolvam a sua atividade fora dos grandes centros urbanos e em meio rural.
Portugal conta já com mais de 800 fundações, segundo o Centro Português de Fundações (CPF), mas o reconhecimento da sua ação continua a ser limitado e o setor necessita de reforçar as suas capacidades de gestão, sustentabilidade e profissionalização.
Com esta Rede, a Fundación Mapfre oferece a estas entidades acompanhamento para reforçar a sua gestão, governação, sustentabilidade e impacto social.
As fundações desempenham um papel fundamental na resposta a necessidades sociais, culturais e territoriais que nem sempre encontram apoio suficiente por outras vias. Contudo, apesar desta importante missão, continuam a enfrentar desafios significativos de gestão, sustentabilidade e profissionalização, que condicionam a sua capacidade de impacto e dificultam o reconhecimento da sua contribuição para a sociedade. Consciente desta realidade, a Fundación Mapfre, em colaboração com o Centro Português de Fundações (CPF), apresentou esta manhã a primeira convocatória de adesão à Rede Ibérica Fundación Mapfre em Portugal, uma iniciativa que nasce com o objetivo de fortalecer o setor fundacional na Península Ibérica.
A apresentação desta primeira convocatória teve lugar na sede da Fundação CEBI, em Alverca do Ribatejo, reunindo representantes da Fundación Mapfre, do Centro Português de Fundações, da Asociación Española de Fundaciones e da própria Fundação CEBI, que analisaram o presente e o futuro do setor fundacional ibérico e a importância de promover iniciativas inovadoras deste tipo.
“A força do setor fundacional nasce também das entidades mais pequenas, muitas delas profundamente enraizadas nos seus territórios. Em muitos casos, são organizações que têm desenvolvido com sucesso as suas atividades fundacionais ao longo de várias décadas, mas que precisam de atualizar os seus procedimentos ou os seus meios para responder aos desafios da atual situação social e demográfica. Com a Rede Ibérica Fundación Mapfre pretendemos criar um espaço de intercâmbio de ideias entre fundações de ambos os países, estabelecer sinergias, partilhar boas práticas, promover a colaboração e dar a conhecer o extraordinário papel que desempenham em benefício da sociedade”, afirmou Elvira Vega, diretora-geral da Fundación Mapfre.
Por sua vez, Antonio Carmona, diretor da Rede Ibérica Fundación Mapfre, destacou que “dos dois lados da fronteira existe conhecimento, talento e experiências valiosas que, até agora, muitas vezes se desenvolveram de forma independente, perdendo oportunidades de aprender, colaborar e gerar maior impacto. A Rede Ibérica nasce precisamente para construir em conjunto soluções que respondam às necessidades que partilhamos”.
Setor fundacional português: baixo reconhecimento social e necessidade de reforçar capacidades
O evento incluiu um debate entre o Centro Português de Fundações e a Asociación Española de Fundaciones (AEF), no qual foram partilhadas as perspetivas de Portugal e de Espanha sobre a situação do setor, abordando questões como a sua perceção social ou a necessidade de continuar a reforçar as suas capacidades.
Para isso, Ricardo García, secretário‑geral do Centro Português de Fundações (CPF), apresentou as principais conclusões do relatório “Perceção dos Portugueses sobre as Fundações”, que revela uma perceção globalmente positiva das fundações, mas também um conhecimento ainda limitado do setor e uma notoriedade concentrada num número reduzido de entidades. Ao mesmo tempo, os portugueses esperam que as fundações desempenhem um papel relevante perante alguns dos principais desafios sociais, especialmente em áreas como a saúde, o combate às desigualdades e o apoio às populações mais vulneráveis.
Para Ricardo García, estes resultados evidenciam um duplo desafio: reforçar o conhecimento e o reconhecimento social das fundações e, simultaneamente, fortalecer as suas próprias capacidades para responder a necessidades cada vez mais complexas. Nesse sentido, destacou a importância de avançar em áreas como o bom governo, a sustentabilidade financeira, o talento, a transformação digital, a avaliação de impacto, a transparência ou a colaboração, especialmente entre fundações de pequena e média dimensão. “Não basta fazer; é necessário demonstrar, explicar e prestar contas. O desafio é transformar o impacto em confiança pública e, para isso, precisamos de fundações fortes, capazes de colaborar, inovar e tornar visível o valor que geram para a sociedade”, afirmou o secretário‑geral do Centro Português de Fundações.”
Um reforço que passa também por adaptar as organizações aos novos desafios que o setor enfrenta. Desde a perspetiva espanhola, Silverio Agea, diretor-geral da Asociación Española de Fundaciones (AEF), abordou a evolução que o setor está a viver, sublinhando que “as fundações estão a atravessar um processo de transformação que exige avanços em profissionalização, inovação, transparência, bom governo e medição de impacto, ao mesmo tempo que enfrentam o desafio de garantir a sua sustentabilidade económica e ambiental. Em Espanha, existem 10.511 fundações ativas, que geram um valor acrescentado bruto de 18.300 milhões de euros, equivalente a 1,6% do PIB, e contribuem para a criação de mais de 400.000 empregos. É fundamental acompanhar esta evolução e reforçar a colaboração entre fundações e com os setores público e privado”.
Requisitos para participar
A convocatória, aberta até 15 de outubro, tem caráter não competitivo. Será especialmente valorizada a vontade de fortalecimento e profissionalização, bem como o enraizamento no território.
Podem candidatar-se fundações privadas não vinculadas a organizações políticas ou empresariais, com fins sociais ou culturais, e com sede ou atividade em territórios com desafios demográficos. As entidades interessadas devem apresentar a sua candidatura através da área de registo da Rede Ibérica, anexando a documentação requerida, que inclui, entre outros documentos, o formulário de candidatura, estatutos, acreditação registral, contas anuais e uma declaração responsável de aceitação das bases.
A Fundación Mapfre coloca a sua experiência ao serviço destas entidades para as ajudar a gerir os seus recursos de forma mais eficiente, ampliar o alcance dos seus projetos e promover o intercâmbio de experiências, atividades e boas práticas. A participação assenta no respeito absoluto pela autonomia de cada entidade. As organizações manterão o controlo sobre os seus órgãos de gestão, atividades e decisões, sem que a sua incorporação implique qualquer relação de dependência.
“A chegada da Rede Ibérica a Portugal reflete a vontade da Fundación Mapfre de continuar a avançar no seu compromisso com o país e com o desenvolvimento de uma sociedade mais inclusiva. Para nós, integrar este projeto significa também assumir uma visão de longo prazo, na qual a ação social, a colaboração e o conhecimento das diferentes realidades do país permitam construir relações sólidas e sustentáveis”, afirmou João Gama, responsável da Rede Ibérica Fundación Mapfre em Portugal.
As bases completas estão disponíveis em:
https://www.fundacionmapfre.org/rede-iberica/