A era das marionetas

Uma dessas manobras, recém surgida, reside no anúncio de Trump do nome do presidente da FIFA para Secretário Geral da ONU, sucedendo assim a António Guterres.

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  • 13:35 | Quinta-feira, 23 de Julho de 2026
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A Nova Ordem Mundial, assim designada pelos analistas políticos, centrada na bipolaridade geopolítica e geoeconómica liderada pelos EUA , pela China e já menos pela Rússia, depauperada pelo conflito que criou com a invasão da Ucrânia, pode ser, segundo alguns, o fundamento para a implementação de um governo mundial totalitário.

Donald Trump e a ultra-direita que o sustenta com os seus interesses bilionários, desde a alta finança às seitas religiosas, com o seu hiper narcisismo e talvez a sua crescente demência, com a sua sede incomensurável de riqueza e de poder, representa o pior do partido conservador norte-americano, personificado no movimento MAGA que o glorifica.

Desde a negação da Verdade, a consagração da Mentira e até à tentativa de total descredibilização das instituições há muito legitimamente vigentes, tudo serve, maquiavelicamente para, sem olhar a meios, se atingir o fim da eternização dos autocratas no poder e consequente anulação da Democracia.

Uma dessas manobras, recém surgida, reside no anúncio de Trump do nome do presidente da FIFA para Secretário Geral da ONU, sucedendo assim a António Guterres.


A Organização das Nações Unidas, fundada no final da IIª Guerra Mundial, incluindo 193 Estados, tem como principal objectivo a manutenção da paz no mundo, os direitos humanos, a cooperação ente todos os Estados e o desenvolvimento sustentável do planeta.

Ora, nenhum destes itens está na agenda de Trump, antes pelo contrário.

A paz, com ele que anseia ganhar esse Prémio Nobel, é uma mera falácia, uma estratégia para granjear maior riqueza (com o petróleo, por exemplo) e para servir os seus financiadores, a indústria bélica norte americana, entre outras.

Os Direitos Humanos são para ele letra morta e basta atentarmos na acção paramilitar de organismos terroristas como o ICE, que persegue, prende, tortura e mata imigrantes ditos ilegais e também alguns dos que se manifestam contra essas directrizes.

A cooperação entre Estados, com as contínuas, obscenas e crescentes taxas alfandegárias que impôs é uma miragem.

O desenvolvimento sustentável do planeta é ignorado, pois põe em causa a fortuna de muitos dos colossos financeiros do seu país. Em geral, seus indefectíveis apoiantes.

Por isso mesmo, vem a lume o nome de Gianni Infantino, desacreditado presidente da FIFA (Fédération Internationale de Football), a entidade que manda no futebol mundial, para substituir Guterres e segundo Trump, “Evitar a presença de vermelhos na organização”.

A FIFA tem sido sede dos maiores escândalos de corrupção e outros nas últimas décadas, desde Blatter a Platini, et al…

Infantino, é para Trump “the right man in the right place”, pelas “qualidades” evidenciadas de bajulação e subserviência.

O presidente agora em fim de mandato do seu quadriénio, deu provas de ser um joguete nas mãos do presidente norte-americano, como ainda agora se viu com a eliminação a posteriori do cartão vermelho ao jogador Folarin Balogun (expulso no jogo entre os EUA e a Bósnia-Herzegovina) após um telefonema de Trump a exigi-lo.

 

 

Assim, de uma só cajadada, Trump atinge dois objectivos, desacredita a prestigiada ONU e coloca uma sua marioneta à cabeça dessa organização mundial.

 

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